Eu uso óculos!
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quinta-feira, 09 de outubro de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Quando descobriu que o filho mais velho, João Victor Santos Oliveira, então com seis anos de idade, tinha o mesmo problema de visão que ela, a mãe, a psicóloga Vivianne dos Santos, não conseguiu evitar a culpa e a tristeza. ''Só eu tenho problemas de visão, o pai dele, não . Soube então que eu tinha passado o gene da miopia para o João Victor e me senti mal com isso. Com tanta coisa legal para transmitir para meu filho, eu tinha que passar logo um problema de visão?'', lamenta-se Vivianne.
Segundo os médicos, ela não é a única a se sentir assim. Muitos pais lamentam quando descobrem que os filhos terão que usar óculos. E isso pode ser um problema na tentativa de convencer as crianças a se adaptarem ao novo acessório. ''Não é tão difícil convencer uma criança pequena a usar óculos. Os pais é que precisam se policiar para não demonstrar ao filho que lamentam pelo fato. Isso costuma ocorrer quando o pai ou a mãe usam óculos e se sentem culpados pelo fator hereditário. O melhor é encarar o fato com naturalidade e transmitir isso à criança'', diz o oftalmologista Renato Neves, diretor da Eye Care Oftalmologia.
Para João Victor, hoje com dez anos, a notícia de que teria que usar óculos realmente não foi muito agradável. ''Achei chato pelo incômodo que imaginei que os óculos iriam causar. Mas depois descobri que não atrapalham em nada. Muitos colegas meus da escola também usam e as pessoas dizem que eu fico com cara de intelectual'', diz o menino. ''Ele trabalha como modelo e já foi convidado a desfilar com os óculos porque acharam que ficaria legal'', completa a mãe.
Já para a estudante Camila Fujihara, 13 anos, a chegada dos óculos, quando ela tinha 11 anos, foi recebida com tranquilidade. ''Meus pais usavam óculos, e eu sabia que um dia iria precisar. Me adaptei superfácil e hoje acho normal. Só evito usá-los em festas, e daí o problema é enxergar as pessoas, porque tenho miopia'', confessa ela.
Segundo a mãe de Camila, a gerente administrativa Beatriz Zimermann, embora tenha se acostumado com os óculos, a filha já tem o desejo de se livrar deles. ''Eu e o pai dela já fizemos a cirurgia de correção, mas isso ela ainda não pode fazer, então pediu para usar lentes de contato'', revela.
A primeira consulta
Segundo a oftalmologista Sara Patrícia Grebos Obara, é importante que os pais levem os filhos para acompanhar a saúde ocular. ''A primeira consulta com o especialista deve ser por volta dos três anos. Se nenhum problema for detectado, a criança deve voltar ao médico com seis anos. Mas se for observado um excesso de lágrimas, desvio em um dos olhos ou qualquer dificuldade para enxergar, o oftalmologista deve ser consultado até antes desse período'', afirma Sara.
Os problemas de visão, além de prejudicar o rendimento escolar e outras atividades como esportes, assistir à tevê e usar o computador, podem comprometer o futuro das crianças. ''Alguns distúrbios de visão, se não forem tratados, deixam sequelas graves, como a incapacidade de o cérebro interpretar imagens e a perda da noção de profundidade'', alerta.
O estrabismo também é outro problema que deve ser tratado o quanto antes. De acordo com a especialista, até os seis meses de idade, é comum existir um desvio em um dos olhos. ''Depois desse tempo, se o desvio persistir, é necessário procurar tratamento, que pode ser feito com óculos, oclusão (tampão) ou cirurgia, dependendo de cada paciente. Caso contrário, o estrabismo pode levar à perda da visão do olho torto. Quanto mais cedo se iniciar o tratamento, menos tempo se leva para obter o resultado desejado'', observa.
E para incentivar os pequenos a usarem óculos, os especialistas dizem que o assunto deve ser tratado de forma natural pelos adultos. ''Costumo dizer aos pais dos meus pacientes mirins que façam da escolha dos óculos um evento divertido, de muita cumplicidade com seus filhos. Que saiam juntos em busca de uma armação que combine com a criança e que a individualidade dos filhos seja respeitada'', diz Renato Neves.
Escolha e manutenção
- As armações e as lentes devem ser, de preferência, de acrílico, que é mais leve e resistente.
- As armações não podem estar soltas ou apertando o nariz ou atrás da orelha. As hastes que se prendem atrás da orelha são melhores para as crianças.
- Quando o grau das lentes for elevado, recomenda-se o uso de lentes especiais que deixam os óculos mais leves e mais finos.
- Os óculos devem ser sempre trocados quando a armação estiver torta ou se as lentes estiverem muito riscadas.
- As lentes de contato são indicadas apenas para crianças acima de 12 anos e devem ser usadas com o acompanhamento de um adulto.
- Procure lentes com proteção contra os raios UVA e UVB.
Fontes: Renato Neves, médico oftalmologista e diretor da rede Eye Care Oftalmologia e Sara Patrícia Grebos Obara, oftalmologista.


