Eu e meu bichinho
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Micaela Orikasa<BR> Reportagem Loca 
Na casa da família Gusmão, as pequenas Luiza, 8 anos e Giovana, 4, não se cansam de mimar os três companheiros peludos: Bilu e Nina, da raça lhasa apso e meg, uma golden retriever.
Elas sabem que entre os apertos e as brincadeiras no quintal, surge a responsabilidade em ajudar nos passeios e na alimentação dos bichinhos. ''Os animais interagem muito bem com as crianças. Além das brincadeiros, elas também vão aprendendo limites, impostos não só por nós, mas pelos próprios animais. Como sempre tivemos cachorro, já sabíamos do nosso dever em trabalhar a disciplina e o respeito entre todos'', conta a mãe, Luciana, que é psicóloga.
Ela explica que um dos animais da casa foi um pedido de aniversário de Luiza, que teimava em ter um cachorro. ''Eles fazem companhia até quando a gente está triste'', argumenta Luiza, com o discurso na ponta da língua.
A mãe observa que essa decisão só foi tomada após uma boa conversa entre eles. ''Explicamos sobre a responsabilidade em assumir a higienização dos ambientes, os cuidados com a saúde e alimentação do cachorro e reforçamos que ela não poderia deixar o bichinho no canto, caso enjoasse'', afirma.
Para a médica veterinária Eliane Cristina Palaoro Pereira, a questão do abandono é um dos pontos mais importantes da discussão quando se pretende adquirir um animal de estimação. Principalmente nesta época do ano, pois segundo ela, é o período de maior procura.
''O animal nunca deve ser adquirido por impulso, pois em pouco tempo a família pode descobrir que não está preparada para ter um em casa. Uma situação muito comum é a criança passar o tempodo todo pedindo um bichinho e, no final do ano, os pais acabarem cedendo, transformando o pedido em presente, mas isso pode gerar arrependimento'', diz.
Eliane diz que antes de adquirir um animal é preciso ter consciência do espaço que ele irá ocupar, delegar responsabilidades (como quem irá cuidar dele), levá-lo sempre ao veterinário, dar disciplina e comida.
''Em último lugar deve vir o amor. Se for ao contrário, o animal nunca será disciplinado'', orienta. Vale também conversar com alguém que já tenha um bicho em casa e se inteirar dos cuidados que cada espécie ou raça exigem.
E antes de enlouquecer com a bagunça dos novos moradores, é preciso saber que até o primeiro ano de vida, todos eles são muito bagunceiros, principalmente os cachorros, pois estão em fase de experiência, assim como qualquer criança. ''Existem raças que não se deve dar para crianças até quatro anos, como poodle toy, pintcher e chiwawa, pois são muito sensíveis e frágeis'', diz.
Para a veterinária essa é a fase mais importante para o dono, onde ele determinará o que pode e o que não pode. ''Geralmente, é nesse período que as pessoas erram, mimando demais e achado tudo bonitinho. Aí o animal se sente o líder da casa e faz tudo o que quer'', comenta.
Quanto aos cuidados básicos para quem tem crianças e animais em casa, vale a dica de lavar sempre as mãos depois de manusear o animal, mantê-lo sempre vacinado e vermifugado e não deixá-lo sozinho com crianças muito pequenas.
Porém, todos essas orientações são meros detalhes em vista dos benefícios que um animal de estimação pode proporcionar para os adultos e, principalmente, para as crianças, que desenvolvem o senso de responsabilidade, o tato, a segurança afetiva e a aprendizagem de limites.


