ReproduçãoQuando a solidão bater na porta, não se intimide em ligar para os amigosEternamente livresExistem pessoas que não abrem mão da vida de solteiro, mas viver sozinho tem seu lado negativo
Cristina Gumiero
Agência Estado
Alguns fazem a linha do maior abandonado, tristinhos e sempre carentes. Outros brindam com champanhe todos os dias o estado de graça da solteirice eterna. Há ainda os que se mantêm neste estado por pura opção e se recusam a pensar no assunto casamento; e, é claro, há os traumatizados, recém-separados, que sentem urticárias cada vez que pensam em dividir alianças e pastas de dentes novamente. Estereótipos à parte, a verdade é que ser ou estar solteiro tem lá seus prós e contras.
Nem sempre estar solteiro significa estar sem ninguém. Há solteiros que passam a vida namorando (nem sempre a mesma pessoa, é óbvio), mas pelo simples fato de não suportarem a idéia de entrar no clube dos casados. Para estes, a idéia de almoçar nos domingos na casa da sogra, se reunir com outros casais para contar as últimas anedotas, e ainda dormir e acordar todos os dias ao lado da mesma pessoa, é realmente um prato indigesto.
Solidão A vida de solteiro também tem seus dias tediosos. Não ter ninguém esperando em casa; cozinhar só pra um; ninguém para elogiar o novo quadro da parede; não ter com quem conversar no meio da noite quando surge a insônia; não ter quem passe a mão na sua cabeça quando se está doentinho; sem falar nos dias chuvosos de inverno quando ela aparece - sim, a inimiga e vilã solidão.
Mas há como evitá-la e até sobreviver com ela. Nada melhor do que a nossa própria companhia; desfrutar de um bom livro, tirar um dia inteiro só para tratar do jardim; da beleza; desfrutar dos prazeres da mesa, sem culpas e remorsos ou ainda sem alguém por perto para nos lembrar que estamos fora do peso; além de podermos ficar horas ao telefone trocando confidências com aquele amigo especial.
Principalmente quando moramos sozinhos, é importante cuidar com muito carinho da decoração do ‘‘lar doce lar’’. É lá onde nos refugiamos após um dia cansativo de trabalho, assim, nada de relaxar nos detalhes e até nos cuidados com a alimentação, só porque não há ninguém para admirar ou elogiar seus dons culinários. Sempre que possível, chame os amigos para desfrutar com você o prazer da sua casa. Não importa o motivo. Mesmo quando a carência bater na porta, não se intimide em ligar para os amigos verdadeiros e pedir colo.
Fim da união Por mais traumatizante que seja, é preciso antes de tudo agir com bom senso, ‘‘tentando’’ da melhor forma possível manter o auto-controle. Apesar de difícil, evite discussões ardentes, principalmente em público, assim como falar mal do ‘‘ex’’ ou revelar confidências a outros. Com certeza, quando a ‘‘tempestade’’ passar, você verá o quanto foi bom manter essa lei do silêncio. Ninguém precisa saber dos motivos que levaram à separação.
Quanto à divisão de bens, o mesmo critério. Tudo dentro da lei, respeitando o espaço um do outro. Se é impossível manter a amizade entre o casal, pelo menos que a relação seja formal, sem exageros ou desprezo. Educação e sutileza não fazem mal à ninguém, e vale lembrar também: a melhor forma de desprezo, quando realmente ele se faz necessário, é manter a distância e o silêncio.
Quando encontrar seu ‘‘ex’’ com outra(o) numa festa, tente manter a postura firme e educada. Por mais irresistível que seja a vontade de ‘‘voar’’ no seu pescoço, e assassiná-la(o) alí, na frente de todo mundo, respire fundo, sorria levemente - sem ironias - e o(a) cumprimente como faria com qualquer um.
Depois, já que ninguém é de ferro, você até pode sair discretamente do ambiente, procurar um local isolado e dar murros na parede, arremessar alguns copos e objetos no chão, gritar, chorar e tudo mais, depois... volte para a festa, se for o caso, com a calma que os deuses lhe deram e aja como se nada tivesse acontecido.
Fim de namoro, caso, casamento, transa, entre outros, sempre deixa um gostinho amargo durante um bom tempo, mas não se deixe abater e jamais se isole dos amigos e da família. Nessas horas é fundamental que sua vida social seja repleta de emoções e encontros. Aproveite o tempo vazio para distrair-se, muito. Viaje, não recuse os convites para as festas - mesmo sem a menor vontade de se arrastar até lá - cuide do corpo, da cultura, da alma, compre
algumas roupas novas, mude o corte do cabelo, ouse muito. É o momento para isso.

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