Quando há falta de desejo sexual, diversas perguntas passam pela mente feminina. A causa está no excesso de preocupações? São os hormônios que estão desequilibrados? É só uma crise passageira? Se ela percebe que ainda sente atração física pelo parceiro, a situação torna-se ainda mais confusa. Segundo os especialistas, as causas podem ser tanto físicas como emocionais, e fatores como estresse e ansiedade podem sabotar o momento do prazer.
  O recente Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, coordenado pela psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, revela dados interessantes. Homens e mulheres, 7.103 ao todo, responderam questionários sobre sexualidade. A maior dificuldade apontada pelas mulheres é atingir o orgasmo; em segundo lugar – 25% dos casos –, vem a dificuldade para conseguir excitação.
Bloqueios Segundo o sexólogo Gerson Lopes, presidente da Comissão Nacional da Sexologia, em 70% dos casos são bloqueios psicológicos que inibem a libido feminina. ‘‘Um dos mais freqüentes é a depressão.’’ A ansiedade e o estresse também são vilões. ‘‘A cabeça está tão acelerada que a mulher não consegue entrar em sintonia para aproveitar o momento.’’ Na opinião dos dois especialistas, quando se leva todos os problemas para a cama, a psicoterapia pode ser um bom caminho para a cura.
  Doenças físicas também podem minar o prazer feminino. Os desequilíbrios hormonais da menopausa, ou causados por alterações na tireóide ou por cistos no ovário, podem bloquear o desejo. ‘‘Problemas vasculares em doenças como diabetes, hipertensão e colesterol alto também podem causar desconforto sexual’’, explica Carmita.
  A microempresária Ana, de 45 anos, sofreu da falta de libido em alguns momentos. A pior crise foi na virada para os 40, quando descobriu que estava entrando numa menopausa precoce e, ainda por cima, tinha alterações na tireóide. ‘‘Passei a apresentar muitas dificuldades para ter relações, por causa da secura que surge, calores insuportáveis, ansiedade e insônia’’, conta ela, que é casada e tem filhos. Nessa mesma época, também estava enfrentando problemas financeiros e profissionais, o que só aumentava o estresse. A solução veio com o controle dos hormônios pelo médico. ‘‘Foi uma barra, mas agora a situação está sob controle.’’
Brigas No caso da empresária Rita, de 40 anos, o desejo entrou no vermelho depois do nascimento de sua filha. ‘‘Meu corpo passou por uma revolução, e estava tão grudada com minha filha que perdi o apetite sexual’’, fala. ‘‘Também tive a depressão pós-parto.’’ Para mulheres como Andrea Farias, operadora de telemarketing, o desejo chega ao nível zero depois de brigas com o marido ou quando a cabeça está cheia de preocupações financeiras. ‘‘Aí não tem jeito de relaxar.’’
    Segundo Carmita, as mulheres ainda têm muitas dificuldades para dizer do que gostam e do que odeiam na cama. ‘‘Até as mais jovens têm esse bloqueio’’, comenta. A falta de comunicação pode levar a relações nada prazerosas e, depois de cinco, dez vezes, torna-se ainda mais difícil confessar que a insatisfação vinha desde a primeira relação.
  Mas há casos mais sérios em que a simples aproximação erótica do parceiro causa crises de raiva, nervosismo, taquicardia e suores. As razões podem envolver religião, abuso ou questões nem tão sérias. ‘‘Geralmente, essas reclamações vêm de mulheres na faixa dos 30 a 40 anos, que fazem sexo por obrigação. Submetem-se para satisfazer o parceiro. Na verdade, essa atitude pode levá-las a perder a sua libido’’, diz Carmita.

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