Estresse, um vilão da libido feminina
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2005
Fabiana Caso<br> Agência Estado 
Quando há falta de desejo sexual, diversas perguntas passam pela mente feminina. A causa está no excesso de preocupações? São os hormônios que estão desequilibrados? É só uma crise passageira? Se ela percebe que ainda sente atração física pelo parceiro, a situação torna-se ainda mais confusa. Segundo os especialistas, as causas podem ser tanto físicas como emocionais, e fatores como estresse e ansiedade podem sabotar o momento do prazer.
O recente Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, coordenado pela psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, revela dados interessantes. Homens e mulheres, 7.103 ao todo, responderam questionários sobre sexualidade. A maior dificuldade apontada pelas mulheres é atingir o orgasmo; em segundo lugar 25% dos casos , vem a dificuldade para conseguir excitação.
Bloqueios Segundo o sexólogo Gerson Lopes, presidente da Comissão Nacional da Sexologia, em 70% dos casos são bloqueios psicológicos que inibem a libido feminina. Um dos mais freqüentes é a depressão. A ansiedade e o estresse também são vilões. A cabeça está tão acelerada que a mulher não consegue entrar em sintonia para aproveitar o momento. Na opinião dos dois especialistas, quando se leva todos os problemas para a cama, a psicoterapia pode ser um bom caminho para a cura.
Doenças físicas também podem minar o prazer feminino. Os desequilíbrios hormonais da menopausa, ou causados por alterações na tireóide ou por cistos no ovário, podem bloquear o desejo. Problemas vasculares em doenças como diabetes, hipertensão e colesterol alto também podem causar desconforto sexual, explica Carmita.
A microempresária Ana, de 45 anos, sofreu da falta de libido em alguns momentos. A pior crise foi na virada para os 40, quando descobriu que estava entrando numa menopausa precoce e, ainda por cima, tinha alterações na tireóide. Passei a apresentar muitas dificuldades para ter relações, por causa da secura que surge, calores insuportáveis, ansiedade e insônia, conta ela, que é casada e tem filhos. Nessa mesma época, também estava enfrentando problemas financeiros e profissionais, o que só aumentava o estresse. A solução veio com o controle dos hormônios pelo médico. Foi uma barra, mas agora a situação está sob controle.
Brigas No caso da empresária Rita, de 40 anos, o desejo entrou no vermelho depois do nascimento de sua filha. Meu corpo passou por uma revolução, e estava tão grudada com minha filha que perdi o apetite sexual, fala. Também tive a depressão pós-parto. Para mulheres como Andrea Farias, operadora de telemarketing, o desejo chega ao nível zero depois de brigas com o marido ou quando a cabeça está cheia de preocupações financeiras. Aí não tem jeito de relaxar.
Segundo Carmita, as mulheres ainda têm muitas dificuldades para dizer do que gostam e do que odeiam na cama. Até as mais jovens têm esse bloqueio, comenta. A falta de comunicação pode levar a relações nada prazerosas e, depois de cinco, dez vezes, torna-se ainda mais difícil confessar que a insatisfação vinha desde a primeira relação.
Mas há casos mais sérios em que a simples aproximação erótica do parceiro causa crises de raiva, nervosismo, taquicardia e suores. As razões podem envolver religião, abuso ou questões nem tão sérias. Geralmente, essas reclamações vêm de mulheres na faixa dos 30 a 40 anos, que fazem sexo por obrigação. Submetem-se para satisfazer o parceiro. Na verdade, essa atitude pode levá-las a perder a sua libido, diz Carmita.


