Estreitando os laços
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sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Paula Barbosa Ocanha<br>Reportagem Local 
Com a correria do dia a dia, não só dos adultos mas também das crianças, é difícil tirar um tempo para brincar e relaxar com os filhos. No entanto, segundo a psicóloga Daniele Fioravante Tristão, é fundamental separar este tempo na agenda. "São nesses momentos que os pais conseguem passar os valores familiares, além de reduzir o estresse e estreitar as relações", explica.
A psicóloga acrescenta que é durante a interação com os filhos que os pais explicam o que eles acreditam, quais os valores daquela família. "Durante a brincadeira, conversando com a criança, os adultos mostram o que é certo, o que é errado, como eles querem que a criança reaja em determinadas situações levando em conta o que acreditam como família", diz.
Segundo Daniele, com jogos e brincadeiras os pais também podem ensinar os filhos a perder, e como reagir bem diante da derrota. "Dando o exemplo, é possível moldar a criança, construir a educação dela muito mais do que só ensinando com palavras", afirma. Ou seja, as brincadeiras, muitas vezes, servem como um caminho mais prático e eficaz para essa educação.
Os pais que querem que essa interação renda frutos, porém, precisam não só passar um tempo com os filhos, mas realmente fazer o que a criança quer e gosta de fazer. "Tem pais que passam o dia todo com a criança, mas isso não significa nada. Falar que levou o filho no churrasco dos amigos não é passar um tempo com ele. Tempo de qualidade, proveitoso, é aquele que os pais passam fazendo o que a criança quer fazer, focado naquilo, seja brincar, assistir um filme, tomar um sorvete ou fazer um passeio", detalha.
A quantidade de tempo não é o mais importante, segundo a psicóloga. O importante é parar tudo e fazer o que a criança quer fazer, para ela sentir que esse espaço foi realmente reservado para ela. "Não é fazer tudo o que a criança quer, mas o que está dentro dos limites do que a família acha possível e viável."
Para famílias com mais crianças, ela ressalta que é essencial que os pais passem tempos separados com os filhos. "O pai trata de um jeito, a mãe de outro. A criança precisa ficar um tempo sozinha com cada um. E se for mais de uma criança, ela precisa estar com os irmãos mas também ter um tempo separado com os pais, para que todos recebam atenção e se conheçam como indivíduo", completa.
Com o bombardeio de informações que as crianças recebem todos os dias, Daniele ressalta que os pais precisam desses períodos até para conhecer os filhos e se fazer conhecidos. "Se eles não ocuparem esses espaços, outras coisas e pessoas vão ocupar. Na adolescência, isso pode se tornar um problema", explica. Ela afirma que, quanto mais tempo de qualidade um adulto passa com uma criança, mais importante ele se torna para ela. "E quanto mais importante e significativo esse adulto é para a criança, mais colaboradora e obediente ela vai ser. Isso reduz o estresse dos pais e, consequentemente, de toda a família", conclui.


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