Todas as noites de segunda-feira, a pequena Giovana, 5 anos, faz a mesma pergunta à mãe, Elaine Pansolin Souza, 43. ''Amanhã vamos ver a Bolinha mamãe?'' O apelido carinhoso foi dado à égua com a qual ela treina todas as terças e quintas-feiras pela manhã, no Menage Refúgio. Vítima de hipotonia (disfunção nos músculos do corpo) pela falta de oxigenação no cérebro ao nascer, Giovana começou a sua rotina na fisioterapia bem cedo, aos cinco meses de idade. E, a partir de então, passou a contar com o apoio de uma série de profissionais (de fonoaudiólogos a terapeutas ocupacionais). Mas nunca havia apresentado uma melhora tão significativa como nos últimos cinco meses, desde que começou a equoterapia.
''Sentimos uma diferença muito grande. Mexeu muito com a parte emocional. Trouxe mais segurança, melhorou o caminhar (ela caía muito), e a fala se desenvolveu bastante'', relata Elaine. Emocionada, a mãe conta que a evolução da filha tem sido nítida. ''Parece que a equoterapia dinamizou todos os outros trabalhos que ela já fez até hoje. Funciona como um estímulo para todos os sentidos do corpo'', observa.
A alegria de Giovana com a expectativa das aulas deixa um brilho nos olhos de Elaine. ''Ela não tem medo, é apaixonada pela ''Bolinha''. Traz cenoura e dá na boca dela. E já está aprendendo a conduzir o cavalo sozinha. É a coisa mais linda!'', derrete-se a mãe. Outro ponto positivo da equoterapia, segundo ela, é o fato de ser feita ao ar livre (ao contrário das outras terapias, realizadas em salas fechadas), tornando-se também uma espécie de lazer para a criança.
Progresso rápido A dona de casa Sílvia Maria Assunção, 49 anos, também destaca a sensação de liberdade proporcionada pelo ambiente aberto como um facilitador da equoterapia. Mãe de Fernanda, 17 anos, que tem epilepsia e dislexia, ela se surpreendeu com a rapidez dos resultados. ''Depois das crises convulsivas, ela tem uma contração muscular muito grande e, com isso, alterações posturais. No cavalo, ela alonga os músculos que estão encurtados e melhora a postura'', explica Marília, fisioterapeuta e irmã de Fernanda.
Se a evolução na parte física foi boa, nos setores emocional e comportamental, a melhora de Fernanda superou expectativas. ''Como ela consegue dominar o animal, sabe que também vai conseguir ter domínio sobre outras coisas na vida dela'', conclui Sílvia. ''A Fernanda já passou por fisioterapeutas, psicoterapeutas, pedagogas, tudo o que você imaginar. Acredito que todos os pais nessa situação vão à luta em busca de melhorar a vida do filho. Mas, realmente, a equoterapia surpreende. O progresso é muito rápido''.
O cantor Sérgio Soletti, 37 anos, já havia notado mudanças posturais e na coordenação motora da filha, Melina, 6 anos, vítima de olegofrenia. Mas nunca havia assistido a uma aula. Observando pela primeira vez o desempenho da garota, comentou o carinho que ela passou a nutrir pelos animais. ''Ela ficou apaixonada por cavalos, vive falando deles. Antigamente, morria de medo de bichos'', conta. O amor pela ''Bolinha'' é tanto que, diante de alguma travessura cometida em casa, é só ameaçar: ''Vou te tirar do cavalo''.
De acordo com a equitadora e professora de educação física, Dóris Alho Silva, além de trabalhar todo o sistema muscular da criança e também o sistema nervoso simpático (responsável pelas noções de equilíbrio, distância e lateralidade), o movimento tridimensional que o cavalo executa ao se locomover mexe com as cordas vocais, ajudando a soltar a fala. Sem falar no desenvolvimento da parte psicológica. ''Já nas primeiras sessões, nota-se um crescimento considerável na motivação e um aumento da auto-estima e da autoconfiança'', garante.
A aula tem a participação ativa de uma fisioterapeuta e de uma assistente (que fazem parte da equipe de Dóris). A professora supervisiona os movimentos do animal e a postura do aluno. Antes de iniciar o trabalho, conversa com todos os profissionais envolvidos no tratamento da criança: do psicólogo ao fonoaudiólogo, para saber quais as principais dificuldades de cada uma. ''É um trabalho multidisciplinar'', observa. n

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