O brincar, salienta o psicanalista Paulo Alexandre Vasconcelos é, para os bebês, uma das primeiras formas de explorar o mundo. ''À medida em que o indivíduo começa a explorar o mundo e o universo que o cerca, passa a vivenciar sentidos'', explica Vasconcelos, coordenador-adjunto do Laboratório de Pesquisas sobre Infância, Imaginário e Comunicação (Lapic), do Departamento de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (Eca-USP). ''A presença do lúdico na vida da criança é fundamental para que ela possa aprender a ver, a se localizar e, portanto, saber estar e perceber os outros. Jean Piaget e o russo L. Vygotsky defendiam a tese de que o aprender está relacionado aos objetos e aos signos, que fazem a representação de algo'', diz.
Segundo Vasconcelos, a criança deve ser estimulada a brincar, independentemente do brinquedo. ''Pode ser até uma tampa de panela, não importa. O que é essencial é que uma pessoa mais velha o faça, pai, mãe, tia, irmã... Lacan dizia que quando a criança se vê no olho da mãe, começa a achar que faz parte dela. É o desenvolvimento da confiabilidade. A criança que não tem este estímulo, perde automaticamente essa identidade'', salienta. (C.C.)

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