Estimulação motora em bebês
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Fernanda Bassette<br> Folhapress 
A prática de exercícios para estimular as funções motoras e sensoriais dos bebês deixou de ser uma técnica usada apenas para aqueles que nascem prematuros e passou a ser aplicada na estimulação motora de todos os bebês.
O principal argumento usado pelos especialistas para submeter os pequenos à prática de atividades físicas é a falta de espaço em casa e a correria que os pais da criança enfrentam no dia-a-dia.
''As casas estão menores, os pais trabalham fora e a criança fica presa ao 'chiqueirinho', ao berço ou ao carrinho. Isso a deixa completamente limitada'', explica a pedagoga e psicóloga Maria Drumond Grupi, diretora da escola infantil Ponto Ômega, que tem berçário especializado.
É com o mesmo propósito que o psicomotricista Sérgio Nacarato atende semanalmente os bebês do berçário do colégio Magno. Segundo ele, as atividades têm o objetivo de possibilitar o desenvolvimento pleno da criança, estimulando o equilíbrio, a coordenação, a sensibilidade e o reflexo.
''São atividades prazerosas, sem esforço para o recém-nascido, respeitando o seu desenvolvimento natural. Não vamos fazer o bebê andar antes da hora, mas também não podemos deixá-lo limitado a um quadrado'', disse.
Para o pediatra Roberto Tozzi, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, todo o esforço dedicado ao desenvolvimento motor da criança é válido, desde que seja feito com técnica adequada. ''Essas atividades sempre foram realizadas com sucesso para os bebês prematuros ou com algum tipo de deficiência. O trabalho foi adaptado para todos os bebês. Os resultados são bons.''
Denise Trevisol, fisioterapeuta neonatal do Centro de Atendimento Integrado à Saúde da Mulher (Caism) da Unicamp, também é favorável aos exercícios, para que o bebê não fique restrito ao berço. ''Se isso acontecer, qual é o estímulo que ele tem?''
Já a pediatra Laís Maria Santos Valadares e Valadares, presidente da Associação Mineira para o Estudo do Bebê, não concorda com a realização de atividades motoras para todas as crianças. ''O bebê que não nasce com deficiência não precisa ser estimulado. O excesso de estímulo pode colocá-lo em uma situação de estresse.''


