Um estilo de comprar muito praticado e que existe há anos na Europa e nos Estados Unidos. Os brechós, que nada mais são que lojas de produtos usados, principalmente de roupas, calçados e acessórios, ainda enfrentam resistência no Brasil. Aos poucos, porém, esta barreira vem caindo.

Seja nos grandes centros ou em cidades menores, os brechós de roupas reúnem peças de vestuário novas, seminovas ou usadas, no melhor estilo vintage e até mesmo excêntrica. Tudo fruto de quem mantinha no guarda-roupa peças paradas ou abandonadas e que, cansado de guardá-las, resolveu praticar o desapego.

"Brechó é um comércio como qualquer outro. Funciona como compra e venda de roupas usadas e como se fosse um antiquário de roupas, só que por um preço mais barato que uma loja comum. Com sorte é possível encontrar roupas antigas em bom estado de conservação e ótimos preços. Dependendo do local de compra, as peças são exclusivas. Vejo que ainda existe preconceito relacionado a compras em brechós, mas também vejo que este pensamento está mudando", diz o designer e empresário Nélio Pinheiro.

Há 10 anos proprietário de brechó, sempre priorizando produtos vintage, Nélio explica que o perfil do público deste comércio é o mais variado possível, citando pessoas envolvidas com artes, moda, arquitetura, senhoras e senhores, jovens alternativos ou não.

"Geralmente os produtos oferecidos são adquiridos de quem quer se desfazer de alguma peça, atacados de roupas usadas e outras lojas. E sempre digo que os compradores em brechós devem levar em consideração o preço, acabamento, estado de conservação, estilo procurado e as possibilidades de uso", recomenda.

Mundo afora
Dona de brechó há 14 anos, Eide Martinez Gianelli abastece as araras de sua loja com peças garimpadas mundo afora. Ela viaja três vezes ao ano para os Estados Unidos ou Europa, na busca por roupas exclusivas e que vão atender aos anseios de seus clientes que hoje, segundo ela, somam mais de mil, entre pessoas de várias classes sociais.

"Quando comecei meu negócio era muito pequeno, devido ao preconceito que existia na época. Minha loja cresceu e em breve vou inaugurar meu segundo brechó. Só quem viaja muito para o exterior sabe qual é realmente o conceito de um brechó. Se antes também as pessoas entravam neste tipo de loja atrás de roupa barata, hoje elas querem ter exclusividade nos produtos, que é o que faço em minhas compras, ou seja, trago apenas uma peça, de uma cor só", comenta Eide.

Se atualmente o foco do consumo em brechós do Brasil vem mudando, já que essa "nova" forma de comprar confere exclusividade e identidade ao indivíduo, os preços inevitavelmente estão também entre os maiores atrativos.

"Uma calça que você paga R$ 400 em uma loja de marca, é encontrada no brechó por R$ 20, R$ 30, em perfeito estado de uso e conservação. Só que em brechó, pelo menos no meu, pagamento só à vista ou em cartão de crédito. Preço ainda fala mais alto, mas a exigência por 'achados' exclusivos está cada dia mais forte", revela Eide.

Imagem ilustrativa da imagem Estilo e originalidade



Leia a reportagem completa em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA.

- Cultura de preço, mas não de estilo

- Busca pela exclusividade

mockup