A moda é feita de lançamentos, repetições ou reciclagens. Há idéias que surgem e desaparecem. Outras agradam e, de tempos em tempos, retornam atualizadas. Mas existem aquelas eternas, que atravessam anos, e permanecem atuais. Um exemplo são os drapeados, que trazem um movimento clássico para as mulheres.
  A idéia do tecido drapeado não é recente. Pelo contrário, fazia parte da vestimenta feminina e masculina, muito antes da era cristã. A mulher grega, quando lembrada, surge acompanhada por franzidos presos por cordões nos ombros ou na cintura. Ou seja, o movimento drapeado tornou-se um clássico, assim como a beleza grega.
  Nas décadas de 20 e 30, os longos da estilista francesa Madeleine Vionnet (1876-1975) fizeram muito sucesso. Certamente, também o fariam neste início de século. A idéia fundamental dos modelos não era sua, mas sim havia sido inspirada no detalhe marcante de antigas estátuas.
  Os tecidos drapeados moldando suavemente formas femininas mexeram com a imaginação de Madeleine. Bastou que acrescentasse um toque mais livre, romântico, sensual, como o entrelaçamento de tecido entre os seios, laços molengos e faixas soltas para que o estilo passasse a ser seu.
  Mas falar de drapeado sem falar em Mme. Grès seria um absurdo. O desejo de Alix Grès (1910-1993) era ser escultora, mas, por causa da desaprovação de sua família, acabou mostrando verdadeiras deusas gregas em passarelas. Com desenho e corte próprios, seus modelos marcaram um estilo clássico e escultural. Seu método de trabalho era semelhante ao de um escultor. Trabalhava o jersey de seda, seu tecido preferido, diretamente sobre o corpo da manequim, sem utilizar qualquer molde e com o mínimo de corte.
  No final do século, o drapeado fez sucesso em importantes coleções. O brasileiro Walter Rodrigues é um admirador confesso do estilo. Para o verão 2003, Reinaldo Lourenço se valeu do clássico movimento em modelos limpos, bem distantes dos supertrabalhados que marcaram o nome de Grès. Resta saber se, no futuro, as deusas gregas continuarão inspirando as novas gerações de estilistas. n

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