Está sobrando mulher
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quinta-feira, 09 de junho de 2005
Rafael Sens<br> Agência O Globo 
A conta é simples. Segundo relatório da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) divulgado nesta semana, existem 20.397.684 mulheres e 19.551.803 homens em São Paulo. Isso quer dizer que 845.881 garotas, moças e senhoras paulistas estão sem um par correspondente nos limites do estado. Todo este exército de mulheres tem de lutar muito para descolar um namorado.
A bem da verdade nascem mais meninos (104 para um grupo de 100 meninas) no estado. Mas a situação se complica quando os rapazes chegam aos 20 anos. Segundo Elisabete Dória Bilac, pesquisadora do Núcleo de Estudos de População da Unicamp, nesta faixa etária os homicídios fazem decrescer a população masculina.
''Este desequilíbrio aparece nas faixas etárias mais avançadas. Como as mulheres tendem a se casar com homens da mesma idade ou mais velhos que elas, há uma compressão no mercado matrimonial. A solução seria elas se casarem com homens mais jovens.'' Ela lembra que este excedente também diminui a chance de as separadas encontrarem o segundo marido.
Pensando nas solitárias, o clube Table For Six (www.tableforsix.com.br) promove eventos para aproximar pessoas que buscam namoro ou amizade. A disparidade entre os sexos se reflete no número de associados: 60% são mulheres. ''Tenho de barrar as inscrições femininas, senão podem chegar a 85%'', conta Amélia Whitaker, diretora do clube, que reúne cerca de 550 integrantes.
Bela, bem-sucedida e inteligente. Apesar de tantos predicados, a assessora Patrícia Alves, de 30 anos, assim como milhares de paulistas, está só há quase dois anos. Mesmo faltando homem na praça, ela nem pensa em abrir mão de uma de suas exigências: que seu príncipe seja mais velho. ''Não dá para ser mãe da criança!'', brinca Patrícia.
Pela noite paulistana, a mulherada reclama da escassez. ''Não sei o que fazer. É de chorar com a quantidade de mulher'', reclama a consultora de beleza Andréa dos Anjos, 26 anos. ''Estou sozinha por opção. Dos homens'', diz a secretária Vivian Nino, de 20 anos, que costuma ir para a balada com amigas que também estão sozinhas.


