Esses seus cabelos brancos...
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quinta-feira, 09 de junho de 2005
Lauro Neto<br> Agência O Globo 
Dizer que não há idade para amar é um clichê dos bons. Mas quando o homem tem trinta anos a mais que a mulher, o romance pode parecer meio estranho. Comuns aos tempos em que jovens moçoilas eram prometidas para velhos pretendentes, e não tinham outra escolha a não ser aceitar, as relações com décadas de diferença continuam frequentes.
Felizes da vida, a atriz Mayara Magri e o diretor Herval Rossano têm 27 anos a separá-los, mas estão por aí aos arrulhos. Os dois se conheceram há vinte anos, quando ele era casado com a também atriz Nívea Maria e tinha uma filha com quatro anos. ''Fazíamos uma novela e tive uma paixão platônica por ele. Eu era jovem, mas acho que isso ficou no meu subconsciente'', lembra Mayara. Com o casamento dele desfeito, o romance decolou. Mayara e outras mulheres que investiram em relações com mais de dois dígitos de diferença contam suas histórias.
A tranqülilidade que o homem atinge numa determinada idade é um conforto para mim. Sou uma pessoa muito tranqüila, quieta, não gosto de sair, de badalar, não gosto de nada, nunca fui muito jovem, no sentido de ser jovial. Para mim é bom, pois não percebo essa diferença de idade no cotidiano. Ele já viveu tudo o que quis viver e eu ainda tenho muito para viver. Ele disse para mim, uma vez, que o que para ele não era bom é que ele vai embora antes. Procuro não pensar nisso. Procuro viver o máximo que a gente tem para viver. Todo o tempo que podemos, ficamos juntos. Aproveitar mesmo, principalmente porque acho que a gente poderia ter uma vida, há 20 anos, que não tivemos. Eu era jovem, mas a gente não pôde viver pelas circunstâncias e acho que de alguma forma ficou no meu subconsciente e no dele também. Tanto que quando ele me procurou, já imaginava viver alguma coisa comigo. É uma relação muito gostosa.
Mayara Magri, 42 anos, casada com Herval Rossano, 70 anos
Eu era noiva, o Moacyr casado. Fui num show dele. A menina que ia entrar com o Moacyr e fazer a apresentação dele teve um problema não chegou a tempo. Ele entrava no palco para cantar e, como uma amiga da minha mãe estava promovendo a festa, me chamaram. Quando conheci o Moacyr conversamos um pouquinho. Depois ele falou que ia cantar uma música para mim. No dia seguinte, ele me mandou flores. Falei: meu Deus o que está acontecendo. Depois, meu pai foi transferido para São Paulo. Meu noivado já tinha micado e aí foram sete meses pra gente se envolver completamente. O Moacyr se separou porque já estava meio brigado com a mulher. E depois se mudou para minha casa. Com meus pais foi uma adaptação difícil, complicada. Ele conversou muito com minha mãe, falamos muito em grupo e ela concluiu que não ia adiantar tentar nos separar. Isso tudo aconteceu há 15 anos. Deu certo. Ele não se deixa envelhecer, abater. É um cara atualizado. Nesse sentido sou mais velha do que ele.
Daniella Franco, 30 anos, casada com Moacyr Franco, 68
A vitalidade, a jovialidade dele, eu acho que está no espírito. Vejo que ele tem muito mais pique do que eu e minhas amigas. Às vezes, vamos para o sítio e ele acorda às 5h30 da manhã, faz um monte de coisas e eu fico cansada só de olhar. Acho que essa alegria de viver o fez ser esse cara vencedor que conquistou um lugar na cidade grande. Para ele, nunca tem tempo ruim. E tem o lado da sabedoria, a espiritualidade que ele tem muito desenvolvida. Isso me atrai muito também. Conheci o Stênio gravando a novela Torre de Babel, de Silvio de Abreu, que é o nosso cupido. E vi que, com ele, a sexualidade é muito melhor, porque ele tem muita saúde. E a virilidade depende da saúde, e não da idade. É impressionante. Foi o homem que me despertou mais. Ele desenvolve o sexo tântrico, que é muito interessante. Meu lado mulher foi muito desenvolvido com o Stênio. Se eu pudesse escolher queria ir para eternidade com ele. O que me assustou quando vi que estava apaixonada por ele foi o medo perder. Eu gostaria que ele tivesse uma idade mais próxima, porque me garantiria ficar mais uns 40 anos com ele. Mas tenho certeza que ele vai viver muito para gente poder viver o nosso amor.
Marilene Saade, 36 anos, e Stênio Garcia, 72
O André vai fazer 50 anos. Nós temos uma diferença de idade de 14 anos. Sempre namorei homens mais velhos. Mas com o André acho que é a experiência, a maturidade, o saber das coisas, até por questão de experiência mesmo, por já ter passado por vários relacionamentos e vários casos na vida. O que me atrai é a experiência e todas as qualidades que ele tem. O único problema de casar com homem mais velho é que sempre vem com o kit: filho e uma ex-mulher. Mas me dou muito bem com a filha do primeiro casamento do André, graças a Deus. A vantagem é a maturidade, a experiência de vida, a estabilidade profissional e emocional. O André cuida muito de mim. E é bem cuidado! Malha pra caramba, todo dia. Ninguém diz que ele tem 50 anos.
Andréia Veiga, 35 anos, casada com André Cechinel, 49


