Combinar espiritualidade e trabalho, assuntos em princípio antagônicos, é algo que vem aumentando e só deve trazer vantagens, tanto para empresários como colaboradores, clientes, fornecedores e demais envolvidos no ambiente corporativo. Para o professor universitário e empresário Carlos Alberto Braile, a "ânsia que o ser humano tem do transcendente certamente contribuirá cada vez mais para que, em meio aos negócios, a fé e a vida nos levem a termos ambientes de trabalho cada vez mais espiritualizados, para o bem de todos."

Por espiritualidade, ele aponta a tentativa de conexão com um ser superior, de acordo com a cultura religiosa a qual pertence cada pessoa. "Quando estipulamos uma metodologia própria de cada crença nós passamos a rotular ou tipificar essa prática. Aí podemos dizer que existe a espiritualidade da filosofia indiana, da chinesa, etc. Mas também posso não ter nenhuma rotulação ou tipificação e ser uma pessoa que pratica o bem, curte, respeita e preserva a natureza."

Braile explica que a espiritualidade no trabalho não precisa ser colocada pela empresa e sim "levada" por cada colaborador, na medida em que contribua para o bem-estar do ambiente. "Essa é a melhor maneira de espiritualizar o ambiente, sem rótulos e sem momentos estipulados, formatados, engessados. A espiritualidade prática é essa, com a qual eu contribuo com aquilo que sou, já transformado pelos ensinamentos espirituais verdadeiramente adquiridos", destaca.

Para as empresas que desejam estimular a espiritualidade de seus colaboradores, o empresário recomenda essa mesma espiritualidade prática, sem partir da exigência de uma determinada regra, para não ferir nem constranger aqueles que comungam de outros ideais.

Além de um ambiente mais harmonioso, o professor conta que pesquisas já apontam que na empresa onde há um tratamento mais ético entre todos a produtividade é maior e, consequentemente, o lucro também. "Esta lógica foi descoberta e vem ganhando espaço no ambiente capitalista. Valores éticos como respeito, reconhecimento, valorização do ser humano, atenção aos problemas dos menos favorecidos, são maneiras de trazer Deus por meio de uma espiritualidade prática, sem proselitismo e sem interesse dogmático, o que pode nos levar a dizer que no trabalho fazer o bem faz bem para todos, inclusive financeiramente", finaliza. (E.G)

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