O filme ‘‘Pequena Loja dos Horrores’’ é um musical alto-astral que retrata a história de uma planta carnívora cantoraElas carregam fama de plantas devoradoras, exóticas. Dizem, injustamente, que só atacam quando o herói audacioso está, distraidamente, flertando com a garota. Até pelo próprio nome que carregam - carnívoras - remetem a um poder assustador. Em 1986, o musical ‘‘Pequena Loja dos Horrores’’ veio confirmar essa lenda, colocando na tela uma enorme planta carnívora cantora. Pura diversão.
Na verdade, elas são inofensivas. E nem seu prato preferido, o inseto, se sente ameaçado por elas. Pelo contrário, os insetos sentem-se atraídos, literalmente, uma atração fatal. Yda Masaki Pozza, proprietária de uma floricultura, orienta sobre os cuidados que esse tipo de planta precisa para sobreviver: ‘‘As plantas carnívoras precisam de muita umidade e sol direto. Mas a planta também se alimenta pela raiz’’, explica. Por isso, no vaso coloca-se musgo molhadinho e pode-se regar com água abundante. É uma planta perene que, se bem-cuidada, não acaba nunca.
A Nepenthes é oriunda da ilha de Madagascar. No jarro pendente, funcionam as enzimas digestivas que deglutem a presa em 48 horas
As plantas carnívoras são classificadas pelo tipo de armadilha que possuem, podendo ser ativas - quando se movimentam para a apreensão da presa - e passivas - quando não há movimento para a captura da presa. Originária dos EUA (Carolina do Norte e Sul), a Dionaea possui armadilhas formadas por folhas modificadas e se divide em duas partes com bordas fibriadas, como se fosse uma dentadura. Internamente apresenta pêlos sensitivos em cada uma das partes.
Esses pêlos, se estimulados mecanicamente, levam a armadilha a se fechar rapidamente, aprisionando a presa. Esta é atraída pelo odor do néctar produzido nas armadilhas, além do colorido da parte interna. Suas vítimas são insetos. A Dionaea é a planta carnívora que mais atrai a atenção dos leigos e colecionadores.
Já a Nepenthes é originária do Norte da Austrália e de Madagascar. Possui folhas modificadas, em forma de jarro, que se projetam para a extremidade da folha. Na parte mais alta deste jarro, ela possui estrutura que se assemelha a uma tampinha, recurso da natureza que impede a entrada de água de chuva em excesso. Ao pousarem na borda da armadilha, as presas escorregam para seu interior, sem conseguir escapar. No jarro da Nepenthes funcionam as enzimas digestivas que deglutem a presa em 48 horas.
A Dionaea é a planta carnívora que mais atrai atenção dos leigos e colecionadores. Ela é também conhecida como papa-mosca-de-Vênus e custa R$ 5,00
Para falar em plantas carnívoras é preciso mencionar os colecionadores, que não são poucos. Tantos, que impulsionaram a criação de um projeto, desenvolvido pela USP, chamado Plantas Carnívoras. As escolas participantes desse projeto recebem mudas dessas plantas, no qual são observados itens como crescimento, tempo de digestão das presas e tipos de armadilhas. Mais de 23 escolas públicas, técnicas e particulares do Brasil participam desse programa. A Escola do Futuro da USP possui um site com informações sobre montagem experimental de estufas com essas plantas.

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