ESPAÇO PET - Uma relação de amor
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quinta-feira, 30 de abril de 2015
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Pesquisa realizada na Universidade Azabu, no Japão, constatou que o afeto entre cães e seus donos se baseia na troca de olhares entre ambos. Essa troca aumenta em seus organismos a liberação de oxitocina, o hormônio responsável por estreitar o vínculo entre mães e bebês. As conclusões foram publicadas na revista Science e não causou surpresa entre os apaixonados por bichos, afinal, não é de hoje que cães, gatos e outros pets ganharam o status de filhos.
Trabalhando com atendimento domiciliar, a veterinária Thaís Arrebola conta que ao chegar na casa já consegue perceber a qual pessoa eles são mais apegados. "Às vezes uma pessoa compra ou adota um animal e ele acaba se apegando mais a outra. Ele tem essa pessoa como referência e se preciso coletar sangue, por exemplo, e essa pessoa está perto, o cão nem percebe. Ela vai conversando, acariciando o animal e todos ficam mais relaxados. Por isso até muitas vezes pedem que eu vá quando determinada pessoa a escolhida pelo cão vai estar em casa", diz.
Infelizmente, nem todo atendimento resulta em boas notícias e nesses momentos a veterinária conta ser comum o tutor ficar triste, abraçar e beijar o bicho, como faria com uma pessoa. "Digo que é importante o tutor ficar mais animado, porque o animal percebe pelos gestos e trejeitos que ele está nervoso ou triste. Há uma troca de cuidados, o animal se preocupa também."
Por outro lado, Thaís destaca que é importante não humanizar o pet. Colocar pijama para dormir, usar sapatos para sair na rua, não deixar o cão pisar na grama são exemplos de exagero nessa relação. "O cão pode dormir na sua cama, se ele quiser. Querer que ele deite no travesseiro e fique coberto são exageros. Não é saudável para o animal e ele vai sofrer se essa pessoa fizer falta. É saudável o cachorro ser cachorro, tem gente que não deixa o cão chegar perto de outros, ele acaba por se tornar medroso ou agressivo", alerta.
Lado mãe
Tutora de cinco cães e um gato, Thaís conta que também se refere a eles como filhos e fica bastante preocupada quando ficam doentes. Os bichos têm liberdade para dormir na mesma cama que ela e têm suas próprias páginas em uma rede social.
"É uma brincadeira, fiz para compartilhar as fotos deles, mas não me passo por eles nas páginas. São todos meus filhos de quatro patas, mas não são para substituir uma criança. Ainda não tenho filhos, mas acredito que sejam formas diferentes de amor", explica.
Mesmo a pesquisa não tendo abrangido gatos, Thaís acredita que seus tutores também liberem oxitocina. "Eles são apegados aos gatos, mas não sei se os felinos responderiam como os cães (liberando oxitocina). Eles tendem a escolher uma pessoa como favorita, mas são mais selvagens e veem a casa como uma grande selva."



