Não tem jeito. Por mais que se evite, em alguns casos é necessário anestesiar o animal para alguns procedimentos veterinários e nessas horas é comum o tutor temer alguma complicação. Porém, assim como na medicina humana, a medicina veterinária também evoluiu.

Aline Vaccaro Tako, médica veterinária com especialização em Anestesiologia do Hospital Veterinário Pet Care, em São Paulo, explica que a anestesia veterinária se equipara hoje ao procedimento em humanos nos quesitos qualidade e segurança. "Ainda é comum encontrarmos tutores como medo de anestesiar seus animais, muitas vezes inviabilizando procedimentos necessários para manutenção da saúde e qualidade de vida do pet", diz.

Ela explica que existem vários pontos que devem ser discutidos com o especialista antes da anestesia para ampliar ainda mais a segurança do procedimento. O primeiro ponto importante é saber como está a saúde geral do animal que será anestesiado. "Como acontece com os humanos, todo paciente pet precisa ser avaliado antes de uma anestesia. Os exames solicitados dependem da idade, raça do animal, e ainda do tipo de cirurgia. Em geral o check-up pré-anestésico inclui exames de sangue, com o qual é possível detectar a presença de anemia, infecção bacteriana, parasitária ou viral no animal. Também é necessário realizar uma avaliação cardiológica com eletrocardiograma e/ou ecocardiograma", detalha Aline.

Em situações de emergência pode ser necessário que o animal seja anestesiado sem exames prévios. Se o pet tiver histórico de cardiopatia ou outro problema saúde, o tutor deve informar ao atendimento de emergência.

A veterinária também recomenda que o tutor questione o especialista sobre a infraestrutura do monitoramento do animal durante a anestesia. Segundo ela, existem equipamentos sofisticados que detectam pequenas anormalidades na frequência cardíaca, pressão arterial, temperatura, oxigenação, entre outros.

"A qualificação da equipe também é importante. É preciso que um profissional qualificado realize a aplicação e o monitoramento da anestesia no pet. Na maior parte das cirurgias, a equipe é composta de três veterinários: o cirurgião, o auxiliar e o anestesista. Cada profissional é responsável por um aspecto do procedimento, para que tudo ocorra com tranquilidade e segurança. Ao final da cirurgia, o anestesista acompanha a recuperação do paciente até que ele esteja em condições de ser transferido do centro cirúrgico para a UTI ou internação. A qualidade da anestesia também se estende ao pós-operatório, proporcionando conforto ao animal através de protocolos analgésicos adequados e individualizados", diz Aline.

Mesmo com todos os cuidados, a anestesia envolve riscos, embora pequenos. De acordo com a profissional, estudos em Medicina Veterinária mostram que a incidência atual de intercorrências anestésicas é de 0,1%, ou seja, de cada 1.000 animais anestesiados, um apresenta complicações. Por isso é fundamental que o hospital esteja preparado para socorrer o seu animal caso isso ocorra, com estrutura de UTI, internação e equipe de apoio.

"A anestesia assusta sim, é compreensível. Mas o medo pode ser minimizado com um melhor conhecimento do processo. Certifique-se de que há um anestesista qualificado e um centro cirúrgico equipado antes da cirurgia do seu animal. Não deixe de oferecer o melhor cuidado possível para o seu pet por medo de anestesiá-lo", finaliza Aline.

Imagem ilustrativa da imagem ESPAÇO PET - Sem medo da anestesia
Como acontece com os humanos, todo paciente pet precisa ser avaliado antes de uma anestesia
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