Assim como nós, cães e gatos também precisam de cuidados especiais para evitar as doenças típicas do inverno. De acordo com Jaime Dias, veterinário e gerente técnico de animais de companhia da Merial Saúde Animal, o clima seco, os ambientes fechados e sem ventilação, além do contato direto entre animais saudáveis e animais doentes facilitam a transmissão de micro-organismos. Para evitar problemas, a indicação é manter as vacinas em dia. Porém, outros cuidados e adequações à rotina de banho, tosa e passeios também são necessários para proteger seu melhor amigo. Veja a seguir algumas dicas!

Imagem ilustrativa da imagem ESPAÇO PET - Proteja seu pet no inverno



Gripe
Os pets também estão sujeitos a ter problemas respiratórios, como gripes, resfriados e até pneumonia. Os sintomas são bem parecidos com os dos humanos: tosse, espirros, secreção nasal e febre e exigem atenção, além da consulta com o veterinário. Algumas dessas doenças, porém, podem ser prevenidas através das vacinas. Para os cães, existe uma específica para a chamada "tosse dos canis", justamente pelo fato de a doença ser altamente contagiosa e se propagar principalmente em locais com aglomeração de cães. "Os gatos têm o que chamamos de complexo respiratório felino, em que a rinotraqueíte é uma dessas doenças. A vacina tríplice ou quádrupla protege contra ela e outras doenças. O veterinário irá orientar quanto à mais indicada para cada animal", afirma Dias.

Assim como os humanos, a forma de transmissão entre os animais é através do contato entre um cão sadio e um doente. "Pode ser através do espirro também. Já entre os gatos o contato pode ser direto – contato com secreções - ou indireto – através de espirro. A diferença é que o vírus que causa a rinotraqueíte é o herpesvírus, que fica instalado no organismo depois do contágio e por isso qualquer queda de imunidade irá causar a rinotraqueíte novamente", explica.

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Outras doenças
Dias explica que outra doença com grande prevalência no inverno é a cinomose, que ataca somente os cães e cujos sintomas podem ser confundidos inicialmente com os da gripe. "O vírus é sensível ao calor, por isso talvez a incidência seja maior no inverno. A vacina múltipla protege os animais, que devem ser vacinados anualmente", recomenda. Ele lembra também que a friagem favorece o processo de queda da imunidade, por isso é importante os pets serem protegidos do frio. Karina Mussolino, veterinária do Pet Center Marginal/Petz lembra que os animais idosos, com os problemas de coluna e artrose sofrem mais, por isso precisam ser mantidos aquecidos, com roupas e evitando o acesso deles à chuva. Já a otite (dor de ouvido) não é causada apenas pelo frio. Fungos, bactérias, a falta de cuidados no banho – possibilitando a entrada de água no ouvido ou não secá-los adequadamente depois do banho - são outras causas apontadas pelos veterinários.

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| Foto: Fotos: Shutterstock



Alimentação
Assim como nós, os pets também comem mais no inverno e podem ganhar peso extra. Por isso, a recomendação é seguir com a dieta usual, sem aumentar a quantidade de ração. Se o seu melhor amigo fica muito mais gordinho nessa época do ano, a dica é consultar o veterinário, que poderá indicar inclusive uma ração light. "É essencial ficar de olho na alimentação de cães e gatos e reduzir a oferta de petiscos nesta época do ano, em que o animal muitas vezes fica menos ativo em razão da diminuição dos passeios devido ao frio", diz Karina. Jaime Dias lembra que mesmo com as temperaturas mais baixas, os tutores não devem descuidar da água, que deve ser deixada à disposição dos mascotes, devendo ser trocada com a mesma frequência do verão.

Banho e tosa
Mesmo no inverno os cães podem tomar banho, porém, é preciso cuidado com a temperatura da água e a secagem do pelo. "É importante usar água morna e lembrar de secar corretamente, uma forma de protegê-lo do frio e da umidade. Se o banho for no pet shop e a temperatura ambiente estiver mais quente no local, para evitar um choque térmico é importante dar uma volta pela unidade e aguardar cerca de 30 minutos antes de ir para a rua com o animal. Outra opção é usar a caixa para levá-los até o carro", explica Karina. Jaime Dias ressalta que nos dias muito frios é melhor evitar os banhos, que devem ser restritos a uma vez por semana, a menos que haja outra indicação do veterinário. "A tosa deve ser restrita à higiênica, porque os pelos mais longos ajudam a proteger o animal", afirma ele.

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Roupas e caminhas
Os cães de pelo curto tendem a sentir mais frio, mesmo os de grande porte, por isso as roupinhas são indicadas nessa época. Karina recomenda que elas sejam de tecidos naturais e comportáveis. "Nem sempre aquelas mais bonitas são as melhores. Os movimentos dos bichos têm de ser preservados", recomenda. Para evitar nós nos pelos, a indicação é tirar a roupa diariamente para escovar o animal. O veterinário lembra que os pets podem sentir calor durante o dia, então reserve as roupas para os momentos mais frios. Para aqueles que não gostam de roupas ou ficam no quintal, é fundamental ter um lugar aquecido para se abrigar, com caminhas e edredons. "É importante ter um lugar protegido do vento direto e que fique acima do solo para evitar a friagem. Mesmo os cães grandes precisam de cuidados", destaca Dias.

Passeios
Ao contrário do verão, quando devemos escolher os horários mais frescos para os passeios, no inverno a recomendação dos veterinários é sair durante as horas mais quentes do dia, principalmente pela manhã e no meio do dia. "Para saber se eles estão com frio, é possível notar a patinha mais gelada. Durante a noite, a sensação pode ser pior para os animais", diz Karina.

Baixa umidade
Segundo Karina, quando o clima está muito seco cães e gatos podem apresentar sintomas parecidos com os dos humanos, como coceiras nos olhos, boca seca, dificuldade para respirar e desidratação. "Nesta época, os hospitais veterinários têm uma alta considerável no atendimento a animais com problemas respiratórios, principalmente filhotes, animais idosos e que já convivem com doenças respiratórias. Alguns animais com focinho curto, como o Shi-Tzu, o Pug e os Bulldogs já têm dificuldade para respirar e acabam tendo o problema agravado. Muitos animais necessitam até de inalação para amenizar os efeitos do ar seco", explica ela. "Use umidificadores ou até toalhas molhadas para aumentar a umidade do ambiente", recomenda Dias.

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