Eles são fofos, peludos, amigáveis e muito mais do que pets. Os cães de assistência, assim chamados os cães-guia, cães-ouvintes e cães de serviço, ajudam muitas pessoas a terem uma vida melhor. Os mais comuns são os cães-guia, que se tornam os olhos para quem não consegue enxergar. Os cães-ouvintes auxiliam os surdos, avisando quando o telefone ou a campainha toca, por exemplo. Já os cães de serviço têm diversas funções, como detectar que os diabéticos estão tendo variação do índice glicêmico, impedir crianças autistas de saírem correndo e se colocarem em perigo e avisar pessoas próximas quando alguém está tendo uma crise de alergia ou epilepsia.

Para os cadeirantes, os cães de serviço pegam objetos, abrem e fecham portas, chamam o elevador, entre outras funções. Além de ajudar em tarefas cotidianas de todas essas pessoas, esses animais ainda fazem companhia e impulsionam a socialização de seus tutores.

Ter o auxílio de um animal desses, entretanto, não é fácil. Estima-se que no Brasil existam apenas 100 cães-guia. A dificuldade se deve ao alto custo de treinamento e ao fato de que nem todos os animais têm perfil para o trabalho exigido. Daniela Kovács, diretora institucional do Instituto Íris, explica que para ser considerado apto o cão não pode ser muito dominador nem ser muito dominado, entre outros fatores. As raças mais comuns usadas como cão-guia são o Labrador e o Golden Retriever, pelo temperamento e características da raça e também por parecerem mais "amigáveis" frente a outras pessoas, mas pastores alemães já são treinados para essa função.

No Brasil ainda são poucas as escolas que treinam cães para o trabalho e todas sofrem com a falta de recursos. O treinamento custa em torno de R$ 30 mil e o animal é doado ao futuro tutor. "Seguimos uma recomendação da Federação Internacional de Cães-Guia de que o animal não seja cobrado", explica Daniela.

Deficiente visual devido a uma doença degenerativa, ela conta com o auxílio de Basher, um labrador amarelo de 9 anos de idade. Em geral, o tempo de trabalho de um cão é de oito anos, e Basher deve se aposentar no ano que vem.

"Os animais são selecionados depois do nascimento e vão para uma família socializadora. Com ela o cão aprenderá os comandos básicos de adestramento e também a não fazer algumas coisas que um pet geralmente faz, como subir na cama e no sofá e pedir comida durante as refeições. A família socializadora tem também a responsabilidade de levar o cão a todos os lugares, como transporte público, restaurantes, viagens. Em torno de 1 ano de idade o animal volta para o instrutor, que irá fazer o treinamento de guia", explica.

Segundo Daniela, esse segundo período de aprendizagem dura de seis meses a um ano. Nele o cão aprenderá a desviar de obstáculos aéreos como fios, a achar os caminhos e a andar em linha reta, entre outros. Ao final, só cerca de 30% a 40% dos cães estarão aptos. Nesse momento será feito o cruzamento do perfil dos animais com as pessoas que estão na fila por um cão.

"Não necessariamente o primeiro da fila será contemplado primeiro. É preciso que a pessoa e o cão andem no mesmo ritmo e 'gostem' das mesmas coisas. Não podemos dar um animal muito tranquilo a alguém que goste de fazer exercícios com frequência, por exemplo", destaca Daniela.

Encontrado o futuro tutor, ambos irão passar por um treinamento juntos, o que dura em torno de quatro semanas. "Aprendemos a lidar com o animal, a escová-lo, dar comida, a perceber se está doente. Em geral o primeiro ano é de adaptação e temos acompanhamento durante esse período", afirma.

Ao se aposentar os cães ficam com seus antigos tutores ou com algum voluntário ou familiar que deseje recebê-lo. Todos os custos com o animal, depois da doação, são por conta do tutor.

Imagem ilustrativa da imagem ESPAÇO PET - Mais que melhores amigos
| Foto: Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Deficiente visual devido a uma doença degenerativa, Daniela Kovács conta com o auxílio de Basher, um labrador amarelo de 9 anos de idade
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