É difícil uma cidade que não conviva com o problema de cães e gatos abandonados. A forma com que cada uma lida com o problema é diferente e alguns municípios conseguem encontrar melhores soluções que outros. Em Lavras, Minas Gerais, um grupo de voluntários, em conjunto com a Sociedade Lavrense de Proteção aos Animais e o apoio da prefeitura municipal, criou o Parque Francisco de Assis.

A história de como tudo começou, um pouco do dia a dia e das experiências pioneiras realizadas no Parque, além de narrativas emocionantes sobre como o amor transforma homens e animais são contadas no livro "Viver o amor aos Cães – Parque Francisco de Assis", escrito pela fotógrafa e voluntária fundadora Ana Regina Nogueira. A noite de autógrafos em Londrina foi realizada no final de maio e a autora também promoveu duas palestras para alunos de uma escola em Londrina e de uma universidade em Bandeirantes.

Em entrevista para a Folha da Sexta, Ana Regina contou um pouco sobre como o grupo de voluntários da Rede-Luz chegou até Lavras e a importância do amor e da fé para a realização do trabalho voluntário no parque. O espaço hoje florido e com muitas árvores já foi um matadouro municipal.

"Em 2010 recebemos o convite para procurar em cada cidade a maior necessidade de auxílio. Fomos a muitos lugares e todos estavam bem servidos, até que chegamos nesse canil municipal. O chão era de terra batida, os animais estavam doentes, desnutridos, malcheirosos. Havia esse matadouro desativado na área rural e a prefeitura cedeu o espaço em comodato, por 30 anos, para a Sociedade Lavrense de Proteção aos Animais", conta.

Ana Regina diz que o local era horrível e ainda guardava as marcas da atividade anterior. A população foi convidada a participar de um mutirão para readequar o lugar para sua nova função. A primeira atitude do grupo de voluntários foi apagar o nome "matadouro". Uma grande reforma foi feita, de maneira a tornar o local propício para os animais. A data do primeiro encontro de trabalho foi justamente no dia de São Francisco de Assis, que acabou dando nome ao parque.

"Hoje o Parque é um local de cura, tanto dos animais quanto dos homens. A área foi toda revitalizada, temos árvores, flores, pássaros e os cães passeiam por ali. O córrego que era vermelho pelo sangue dos animais, hoje tem água pura novamente", diz ela.

Com o auxílio da Prefeitura – que destina R$ 15 mil mensais para a compra de ração - e da Sociedade Lavrense de Proteção aos Animais, o Parque sobrevive de doações da comunidade e da fé dos voluntários, conforme ressalta Ana Regina. "Nosso grupo é ecumênico e de muita fé, aquela fé de termos uma necessidade muito grande e de repente sermos atendidos", conta.

Atualmente o Parque abriga 458 animais e conta com seis funcionários e dois voluntários-residentes. Dezenas de outros voluntários se revezam nos cuidados com os animais e na manutenção do espaço. Além do espaço para cães há duas enfermarias para portadores de doenças infectocontagiosas e uma enfermaria para cães em pós-operatório, sala cirúrgica, ambulatório, sala de expurgo, farmácia, depósito de ração, almoxarifado, cozinha dos animais, sala de banho e tosa, lavanderia, rouparia, banheiros e refeitório para voluntários e funcionários, onde são preparadas refeições vegetarianas.

Um projeto pioneiro realizado no parque é o aproveitamento das fezes dos animais para a produção de esterco. O resíduo líquido é separado do sólido e este último misturado com serragem. Depois de um processo que dura três meses o material está pronto para ser usado no cultivo de plantas.

Imagem ilustrativa da imagem ESPAÇO PET - Experiência de amor
| Foto: Foto: Saulo Ohara
"Nosso grupo é ecumênico e de muita fé, aquela fé de termos uma necessidade muito grande e de repente sermos atendidos", diz Ana Regina Nogueira
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