Eles são companheiros inseparáveis e, muitas vezes, passam a vida toda ao nosso lado. Ainda assim, algumas particularidades de cães e gatos seguem como uma incógnita entre os seres humanos. Por esse motivo ouvimos dois médicos veterinários e professores de universidades - Luciana Sayuri Takemura, da Unopar, e Marcos Sant’Anna, da Unifil - para desvendar de vez dez mitos e verdades do mundo pet. Confira!

Imagem ilustrativa da imagem ESPAÇO PET - Chega de dúvida
Cães precisam ter os dentes escovados diariamente. Verdade. De acordo com os veterinários, a escovação dentária dos cães deve ser diária. "Cães não têm cárie, mas podem ter tártaro. Uma vez que esse tártaro é formado é preciso que o animal passe por um procedimento com anestesia geral para a retirada, por isso, recomendamos a escovação. Além disso, o tártaro também pode causar dor ao animal e infecções na boca", alerta Marcos Sant’Anna. Segundo Luciana Takemura, estudos mostram que 80% dos cães com mais de três anos apresentam algum problema relacionado à falta da higienização dentária e gengival. "Atualmente existem pastas específicas de uso veterinário, soluções de limpeza e até rações comerciais com substâncias que ajudam na prevenção do tártaro", recomenda.



Cães só enxergam em preto e branco.
Mito. "Já existem estudos que mostram que os cães enxergam uma variação de cores. Não são todas, mas vai além do preto e branco", comenta Marcos Sant’Anna. "Embora haja uma limitação, a escala de cores dos cães varia do amarelo-esverdeado, passando pelo branco, até tons de violeta", diz Luciana Takemura.


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Um ano de vida para humanos equivale a sete anos para os cães. Mito. Conforme Luciana Takemura, essa é uma informação muito difundida, porém incorreta. "A idade dos cães em relação às fases da vida (jovem, adulto, idoso) não corresponde à nossa idade cronológica e depende de fatores, como porte e raça do animal. Hoje, existem tabelas com equivalência aproximada entre a idade dos cães e a do homem. Cães de porte grande vivem relativamente menos do que os de pequeno porte. Por exemplo, um Pinscher (raça pequena) e um Dogue Alemão (raça gigante) de 1 ano equivalem a um ser humano de 16-18 anos de idade; já as mesmas raças com 8 anos seriam equivalentes a, respectivamente, um homem de 48 e 64 anos", exemplifica a professora.
Cães só comem grama quando estão doentes. Mito. "Esse é um comportamento comum entre os cães, mesmo naqueles aparentemente saudáveis, imitando os parentes próximos (lobos, cachorros do mato, raposas) que ingerem indiretamente o conteúdo vegetal gástrico da sua caça, que são os herbívoros", explica Luciana Takemura. Porém, segundo Marcos Sant’Anna, os cães podem comer grama como um mecanismo de defesa. "Os cães têm a parte gástrica e intestinal muito sensível, por isso, podem comer grama na tentativa de forçar o vômito para evitar um desconforto, o que não significa que ele tenha alguma doença."
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Gatos caem sempre de pé. Mito. Conforme Luciana Takemura, os gatos possuem uma habilidade física acima da média e, geralmente, caem de pé por serem flexíveis e ágeis, conseguindo se posicionar no ar. "No entanto, nem sempre a altura e a lei da gravidade estão favoráveis a esses bichanos. Em grandes alturas o gato até tem tempo e consegue manobras para se posicionar de pé, mas certamente ficará ferido, independente da posição da chegada ao piso", revela.



Cães castrados não marcam território.
Mito. De acordo com Luciana Takemura, a castração não garante que a marcação de território vá acabar. "A castração pode ser uma indicação para cães com atividade intensa de demarcação territorial, mas esse hábito não é 100% extinto. A marcação é um meio de comunicação do cão para com os demais, mostrando que ali é ele quem ‘governa’." Conforme Marcos Sant’Anna, procurar a castração somente para este fim é um erro comum. "Esse é um fator comportamental, por isso, não há garantia de que a castração irá resolver. Ainda assim, a castração é bastante recomendada por prevenir muitas doenças."




Cães não podem comer chocolate.
Verdade. "Os chocolates contêm uma substância tóxica para os cães. Por esse motivo, ainda que seja necessária uma grande quantidade dessa substância para causar um problema ao cão, o chocolate é um alimento contraindicado", alerta Marcos Sant’Anna.




Gatos não gostam de água e não precisam tomar banho.
Mito. "Gatos são muito higiênicos, fazem seu banho de língua diariamente, mas há indicação de banhos para melhorar a higiene, principalmente para os de pelos longos", afirma Luciana Takemura. Marcos Sant’Anna explica ainda que, assim como os cães, banhos muito frequentes podem causar problemas nos gatos. "Quanto à aceitação, é apenas uma questão de habituar o animal a essa situação."


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Gatos se apegam mais aos lugares do que aos donos. Mito. De acordo com Marcos Sant’Anna, esse pensamento ocorre pelo fato do gato ser um animal individualista, diferente dos cães. "Ainda assim, não é possível afirmar que eles gostam mais dos ambientes do que dos donos. Até porque o animal tem um comportamento diferente quando está com o dono." Luciana Takemura acrescenta: "por serem menos sociáveis que os cães, têm-se a impressão que os gatos não se apegam aos seus donos. O fato é que eles apegam-se aos donos sim, reconhecendo-os, ficando no mesmo ambiente, esfregando-se por inteiro e delicadamente entre as pernas do proprietário e ronronando."
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Cães não podem tomar banho toda semana. Verdade. Conforme os veterinários, banhos em excesso podem ser prejudiciais aos animais. "A não ser que o cão tenha algum problema dermatológico, os banhos podem ser a cada quinze ou vinte dias", diz Marcos Sant’Anna. "Banho semanal ou com frequência maior, retira a camada protetora natural da pele dos cães, favorecendo até o desenvolvimento de problemas de pele. Lógico que a higiene é essencial, mas o que conta é o bom senso. Também é importante lembrar que cachorro tem cheiro de cachorro", acrescenta Luciana Takemura.
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