ESPAÇO PET - Ameaça para os cães
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quinta-feira, 10 de março de 2016
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Uma notícia causou apreensão entre os tutores de cães nas últimas semanas. Se não bastasse o mosquito da dengue oferecer risco à nossa saúde, existe mais um motivo para deixá-lo bem longe das nossas casas: o bem-estar dos nossos pets. Embora ainda não muito comum na nossa região, sendo prevalecente no litoral, a dirofilariose, mais conhecida como o verme do coração, também pode ser transmitida pelo Aedes aegypti.
Essa relação, porém, já é conhecida há muitos anos pelos pesquisadores, segundo o professor e pesquisador de Parasitologia Veterinária e Doenças Parasitárias do curso de Medicina Veterinária da Unopar de Arapongas, Alexey Leon Gomel Bogado.
"Dirofilaria immitis é um parasita pertencente ao grupo dos vermes e é causador da doença chamada Dirofilariose. Pesquisadores têm avaliado o potencial de transmissão da Dirofilaria immitis por várias espécies de mosquitos, sendo variável entre os gêneros Aedes (no qual a espécie Aedes aegypti está incluída), Culex e Anopheles, sendo o Culex também um mosquito muito comum nas residências", explica.
O professor conta que, segundo levantamentos epidemiológicos, a ocorrência de animais infectados em algumas cidades do litoral do Paraná varia de 25% a 32%, "uma constatação que está associada às características do local e também pode ser influenciada pela ação humana, resultando em uma grande população de mosquitos".
Nesses locais são adotadas medidas preventivas e curativas para os animais que lá residem. Para os cães que vão para o local ocasionalmente, como nas férias, Bogado destaca que devem ser adotadas medidas preventivas, baseadas em vermífugo e uso de coleiras com repelente, sempre com a orientação do médico veterinário, já que não é qualquer vermífugo que atua sobre o parasita. "O vermífugo não impede a infecção do animal, mas assim que o parasita entra em seu organismo ele é combatido", diz.
No interior do Estado a doença ainda não é comum, porém não estamos livres e com o aumento da infestação do mosquito, os tutores também devem conversar com o profissional responsável pela saúde do seu pet, que irá avaliar a necessidade ou não de medidas preventivas.
Embora os cães sejam mais acometidos pela dirofilariose, os gatos ocasionalmente também podem contrair a doença, que raramente, segundo o professor, pode afetar os humanos. "Existem também relatos em animais silvestres. Na presença de cães infectados e mosquitos também potencialmente infectados há chances de transmissão para seres humanos, no entanto há poucos casos relatados. De qualquer modo, as medidas preventivas são válidas para evitar o contato com mosquitos, que além da D.immitis também transmitem outras doenças, tais como as que estão em grande evidência atualmente: dengue, zika e chikungunya", alerta.
Bogado ressalta, no entanto, que cães e gatos não são afetados pelos vírus causadores dessas doenças, embora já tenham sido encontrados anticorpos contra elas nesses animais.


