Até um tempo atrás, quem morava em cidades menores e tinha o sonho de fazer um curso superior precisava se preparar desde cedo. Com as universidades concentradas em grandes centros, era necessário economizar para bancar a moradia a quilômetros longe de casa, além dos livros, materiais extras e, muitas vezes, mensalidades altas.
Com o avanço da tecnologia, a maioria desses problemas acabou. As universidades continuam localizadas nas cidades maiores, mas agora os alunos não precisam mais encarar a estrada para assistir às aulas. Com a chegada da educação a distância, toda cidade pode receber cursos de graduação, educação corporativa e pós-graduação.
Uma das referências nessa área é a Unopar, que trabalha com o ensino a distância há cerca de dez anos e hoje atende 428 municípios em 25 estados brasileiros, com 12 cursos funcionando em escolas conveniadas. ''Começamos fazendo pesquisa do uso de tecnologia na educação, enfatizando na troca de informações entre profissionais. O primeiro curso foi o Normal Superior, que começou em 2003. E desde então, o Sistema de Ensino Presencial Conectado (nome formal do sistema) tem sido um sucesso'', afirma a pró-reitora da Unopar para essa área, Elisa Maria de Assis.
De acordo com ela, o sistema engloba aulas em que o aluno precisa estar presente e também com conteúdo a distância, onde é possível estudar em casa e em horários alternativos. ''As aulas presenciais são transmitidas via satélite e, dependendo do curso, elas acontecem uma ou duas vezes por semana. São momentos em que os alunos precisam estar nas salas de aula para assistir a transmissão ao vivo por um telão'', explica.
Aulas interativas- O diretor de tecnologia e desenvolvimento da Unopar, João de Lima Navarro, garante que as aulas são totalmente interativas. ''Em todas as salas temos um computador, que permite que os alunos façam perguntas e tenham as respostas na mesma hora pelo professor que está distante. O professor também recebe imagens a cada minuto de todas as salas conectadas'', afirma.
Além das tele-aulas, os alunos têm um cronograma mensal de várias atividades, que devem ser realizadas com prazos definidos para entrega. ''O curso a distância depende muito da dedicação do aluno. Um dia antes da aula presencial acontecer, seu conteúdo já está disponível na internet para estudo prévio e, 72 horas depois, a aula fica gravada à disposição do aluno para revisão. Na internet também acontecem fóruns de debate e existe uma biblioteca virtual para apoio'', diz Elisa.
Para auxiliar os alunos nos trabalhos e dúvidas, cada turma possui um professor-tutor eletrônico, que fica à disposição na rede para conversas no chat e para responder e-mails. ''Hoje, temos 457 tutores eletrônicos e os alunos usam bastante o serviço deles. Percebemos que aqueles que não procuram os tutores têm o rendimento mais baixo. O ensino a distância não é mais fácil que o método tradicional; a legislação é a mesma do ensino convencional. É preciso ter seriedade. Uma prova disso é o resultado do último Enade. Nossos alunos alcançaram 4 num ranking em que a nota máxima era 5'', comenta a pró-reitora.
Horários personalizados- Se o sistema não facilita quanto à exigência de competência dos alunos, ajuda e muito a vida de quem possivelmente não teria condições de se mudar para outra cidade em busca de conhecimento. ''O objetivo maior é levar a educação de nível superior a lugares onde ela não existe, por isso o nosso forte são cidades pequenas. A maioria dos alunos é de pessoas mais velhas, que deixou de estudar há bastante tempo e agora tem a possibilidade de retomar os estudos'', comenta.
Outra vantagem é a possibilidade de montar os próprios horários. A empresária londrinense Thaís Zampar, 31 anos, com formação em letras, escolheu o ensino a distância pensando na possibilidade de estudar quando fosse possível. ''Tenho uma escola de línguas e, por causa do trabalho, seria difícil para mim fazer um curso em que eu tivesse que estar presente todas as noites. Estou fazendo MBA porque senti falta de conhecimento para melhorar os negócios. Muitas coisas já estão sendo aplicadas. Para mim, o sistema funciona muito bem. Tanto que, quando terminar esse, quero fazer outro na área de educação'', garante.
Atualmente são 112 mil pessoas estudando a distância, assistindo aulas que acontecem a milhares de quilômetros ou mesmo aqui, no caso dos alunos londrinenses. ''Os parceiros adquirem os equipamentos e nós fazemos toda a parte didática. A cada ano investimos mais em tecnologia. Já temos um sistema próprio com o que há de mais moderno no mercado'', lembra Navarro.
A professora tutora Andres Nóbrega, 30 anos, fez a faculdade e uma especialização pelo método presencial. Quando começou a trabalhar com o sistema a distância, resolveu ser aluna também. ''Estou cursando MBA e adorando o curso. O presencial seria ruim para mim por causa do horário e eu já sabia que poderia aprender a mesma coisa com essa modalidade de ensino'', diz.

mockup