Sair do aconchego do colo dos pais e do sossego da casa para ir à escola. As crianças estranham as mudanças e o período de adaptação pode ser demorado. Adaptadas, num período médio de três anos, elas enfrentam uma nova troca de escola do período pré-escolar para o ensino fundamental. Essa mudança que também pode ser conturbada, deve ser motivo de maior atenção de pais e professores.
Acostumados ao ambiente pequeno e acolhedor das pré-escolas, onde o número de crianças na sala de aula é menor e a assistência é feita por uma professora e uma auxiliar, as crianças se deparam com um ambiente diferente, espaço físico maior e alunos com idade mais avançada.
A preocupação é que a partir deste ano, baseado na mudança do ensino fundamental de nove anos, essas crianças, que antes saíam da pré-escola com seis anos, agora saem com cinco, muito mais novas para encarar um ambiente tão diferente do que estavam acostumadas.
A preparação para a mudança deve ser feita tanto pelas escolas que vão ser deixadas para trás pelas crianças, quanto pelas que vão recebê-las. ''Os pais precisam ter todo o cuidado e saber como essas crianças serão recebidas na outra escola'', afirma a psicopedagoga, Cassiana Magalhães Raizer, especialista em educação infantil e mestre em educação.
Coordenadora pedagógica da escola Meu Chocolate, que atende Berçário e Pré-Escola, ela explica que o novo sistema de nove anos, deve ser apenas uma continuiudade do que as crianças já estão trabalhando na pré-escola. ''A proposta é que não haja uma mudança brusca para que a criança não estranhe o processo''.
Para isso, todo um trabalho é feito antes mesmo do final do ano. ''Como trabalhamos com um grupo pequeno de crianças, começamos a entrosá-las num grupo um pouco maior. A formatura também é um projeto que já trabalha a saída da escola. Elas sabem que estão saindo daqui e indo para uma nova escola. Vão se acostumando com a nova realidade de forma gradativa'', diz Cassiana.
A elaboração de uma agenda com endereços e fotos dos amiguinhos e a própria Colônia de Férias nos meses de janeiro e julho, ajudam a amenizar o desgaste da separação da turminha, que vai encontrar na nova escola, novos amigos.
Para a psicopedagoga, é preciso estar atento ao comportamento das crianças, que além de pessoas diferentes, incluindo os professores, vão se deparar com um espaço físico maior e um maior número de alunos. O mais importante, segundo Cassiana, é não perder o foco de que elas ''continuam sendo crianças e têm que ser respeitadas como tal''. ''É apenas uma realidade diferente da que elas estavam acostumadas, mas vão se integrar sem problemas'', garante.

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