Faça uma busca rápida entre seus conhecidos. Com certeza, irá encontrar alguém que já foi, vai ou ainda está nos Estados Unidos cursando o colegial (ou parte dele). Isso não é mesmo novidade. Os intercâmbios existem há tempos, mas, de uns anos para cá, sofreram algumas mudanças. A maior delas é que hoje, não é mais preciso hospedar um adolescente americano, como troca pelo tempo em que o filho ficou nos Estados Unidos.
Agora, os intercâmbios são totalmente pagos, e as famílias que hospedam o brasileiro também recebem por isso. Tudo é negócio, o que não significa que a estada em território americano não passe de uma transação comercial.
Que o digam os gêmeos André e Bruno Ayres Martinez, 16 anos, que voltaram em janeiro de uma temporada nos EUA. Nos seis meses que passaram por lá, a dupla chamou os anfitriões de pai e mãe. Conviveu com ‘‘irmãos’’, ‘‘tios’’ e amigos da família, que os recebeu como se fossem filhos.
Para fazer o colegial nos Estados Unidos, é preciso se preparar com certa antecedência. Segundo a agente de viagens Claret Costa, da Student Travel Bureau, são necessários cinco meses. Ou seja, quem está pensando em ir para lá, já pode ir se preparando, mas só para viajar em janeiro.
O ano letivo americano é diferente do brasileiro. As aulas começam em agosto, quando por aqui os alunos já estão encarando o segundo semestre. Por isso mesmo, o candidato a uma vaga nos EUA tem duas opções. Passar seis meses ou um ano por lá.
De acordo com Claret, é preciso apresentar um histórico dos últimos três anos escolares, além de um questionário sobre a rotina em casa, na escola, detalhes médicos e odontológicos. ‘‘Eles (americanos) são detalhistas nisso’’, explica a agente. O aluno ainda precisa passar por um teste de inglês para detectar o nível de compreensão do idioma.
‘‘É um teste fácil’’, garantem os irmãos André e Bruno, que antes de viajar tinham estudado seis anos de inglês. Os dois também acharam fácil estudar lá. ‘‘É como se fosse a nossa 7ª ou 8ª séries’’, contam os irmãos, que durante os seis meses moraram em cidades diferentes - no Novo México e na Califórnia. Os dois fizeram metade do segundo colegial por lá, e agora precisam fazer um teste de equivalência no Brasil, para terminar o terceiro ano.
Um curso de seis meses numa escola pública nos EUA custa em média US$ 5.850, com direito a acomodação em casa de família. O preço é diferenciado para quem opta por uma escola particular. ‘‘A maioria escolhe uma escola pública mesmo, que tem os mesmos recursos de um colégio particular brasileiro’’, diz a agente de viagens, que costuma mandar para os Estados Unidos, em média, cerca de 10 adolescentes (entre 15 e 17 anos) por semestre.
Um detalhe importante para o candidato ao intercâmbio é saber que será tratado como um típico adolescente americano. ‘‘Em geral, as famílias americanas são mais rigorasas com os filhos adolescentes do que as brasileiras’’, conta Claret. Isso significa que o adolescente não pode viajar pensando em ter liberdade total.
‘‘A gente sabia disso antes de viajar, e não tivemos problemas’’, contam os irmãos. André recebeu a chave da casa no primeiro dia e um aviso: ‘‘Você pode voltar a hora que quiser, se tiver carona’’. Já Bruno tinha que avisar ‘‘um dia antes, se quisesse sair’’, lembra. Em compensação, André precisava dormir sempre às 21 horas, quando tinha aula no dia seguinte.
Já com saudades, os dois planejam visitar as respectivas famílias americanas nas próximas férias escolares.

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