Era coisa de bicho-grilo
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quinta-feira, 19 de outubro de 2006
Agência Estado 
No início, esse produtos eram tratados como agricultura alternativa e tidos como coisa de bicho-grilo. Desde então, houve avanço em todos os sentidos. Os agora conhecidos alimentos orgânicos - que vêm ganhando preferência entre consumidores, além de se tornarem opção de celebridades - extrapolam a idéia primitiva de uma produção sem agrotóxico. A nova concepção se estende a cooperativismo e preservação do meio ambiente, mantendo a proposta de vida saudável.
De acordo com o professor Paulo César Stringheta, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, e autor do livro ''Alimentos Orgânicos, Produção, Tecnologia e Certificação'', os alimentos orgânicos foram uma consequência da chamada Revolução Verde, que a partir da década de 50 respondeu por um extraordinário aumento na produção de alimentos.
Preocupado com o crescimento populacional superior ao da produção de alimentos, o idealizador Norman E. Borlaug - que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1970 - pregava o fim da fome no mundo através da cultura em larga escala. A Revolução Verde trouxe as monoculturas dependentes de fertilizantes e pesticidas. Os insumos, entretanto, têm alto custo e potencial de poluição ambiental.
Segundo Stringheta, apesar da tecnologia, um grupo de pessoas manteve o estilo agrícola mais tarde batizado de agroecológico. ''Esses primeiros agricultores eram aquelas pessoas com sandália de dedo, mãos sujas, despenteadas e, por isso, estereotipadas de bicho-grilo, mas as coisas mudaram.'' Atualmente, a agricultura orgânica certificada gera negócios, renda e defende sustentabilidade econômica e social. ''O objetivo é melhorar a qualidade de vida das comunidades, evitar êxodo rural e cuidar da saúde de consumidores e trabalhadores rurais,'' destaca o agrônomo.
Serviço: ''Alimentos Orgânicos, Produção, Tecnologia e Certificação'', de Paulo César Stringheta, Editora UFV, 2003, 452 páginas.


