Equilíbrio é palavra-chave
Na casa da psicopedagoga Kamala Pinheiro, as crianças Heloísa, de 10 anos, e Guilherme, de 3, dividem um tablet e o uso é monitorado, com tempo restrito, segundo a mãe. "Não proíbo porque está aí, eles terão acesso em outros lugares, mas só podem usar depois de cumprir as tarefas escolares e domésticas, como guardar os brinquedos, por exemplo. A Heloísa também tem um celular com internet, mas não pode levá-lo para a escola", conta.
Segundo Kamala, as crianças têm tempo determinado para usar o equipamento, de acordo com a idade de cada um. "Ela usa o tablet em torno de uma hora por dia, o Guilherme um pouco menos. Ele não tem acesso à internet e nem pode baixar aplicativos, embora já tenha aprendido a fazer isso apenas me observando. Uma vez ele tentou comprar um, mas não conseguiu porque foi solicitado o número do cartão de crédito. Expliquei que ele não pode fazer isso, mas bloqueei o aparelho para que só tenha acesso aos jogos", conta.
Ela afirma que para dar exemplo para as crianças, procura não usar seu tablet durante muito tempo enquanto está com os filhos. "Não quero que eles fiquem alienados, mas prezo o brincar. Também alerto sobre os perigos da internet, principalmente a Heloísa. Ela tem conta em uma rede social, mas tanto eu quanto o pai dela temos a senha e monitoramos, não permitindo que aceite convites de novos amigos sem a nossa aprovação. Usando uma linguagem apropriada, já falamos inclusive sobre pedofilia e o acesso à rede social só foi permitido quando ela completou 10 anos", explica.
A professora Karina Di Flora Costa também tenta organizar da melhor forma possível o uso dos equipamentos tecnológicos pelas filhas Giulia, de 16, Clara, de 13, Laura, de 7, e Beatriz, de 3. As duas mais velhas têm acesso a um equipamento individual e também ao computador da casa e as duas pequenas recentemente ganharam um tablet, que é dividido entre elas.
"Elas jogam e assistem a desenhos na internet e revezam o uso. Quando viajamos compro filmes e elas assistem juntas, é quando usamos mais. Durante a semana elas vão para a escola e fazem diversas atividades, elas não têm muito tempo para ficar com o tablet. Nos finais de semana procuro sair com elas e nesses passeios não podem levar o aparelho", destaca.
Karina diz que também procura monitorar as filhas enquanto estão com o equipamento, que é protegido por senha. Ela conta que quando Laura quer fazer alguma pesquisa na internet, a busca é feita sob supervisão. "Ela também já pediu para ter conta em uma rede social, mas sabe que só será autorizada quando fizer 11 anos, a mesma idade que as mais velhas tinham quando puderam fazer."
Por ser professora, Karina busca baixar aplicativos educativos de acordo com a idade das meninas, que podem escolher alguns jogos também. "Acho que com o tablet elas ficam com o cérebro mais ágil, têm respostas mais rápidas. De toda maneira, acho melhor o tablet do que a televisão, porque é algo mais interativo", afirma. (E.G)







