Antes de uma construção terminar, muito entulho vai se acumulado na forma de restos de azulejo, massa, tinta, latas de argamassa, papéis variados, madeira. Esse material, que antes ia para o lixo, na A.Yoshii agora é matéria-prima que se transforma em belos produtos de artesanato.
Com o projeto Criando Arte, a construtora utiliza parte do lixo das obras para ensinar familiares dos seus colaboradores a fazer peças decorativas. ''As aulas começaram em maio deste ano com dois objetivos principais: preservar o meio ambiente, diminuindo a produção de lixo e aproximar a família dos funcionários da empresa. Muitas alunas do curso nunca tinham estado na empresa antes'', diz o diretor de marketing da empresa, Leonardo Yoshii.
A turma de alunas é formada praticamente de esposas, mães e irmãs dos homens que trabalham nas obras da A.Yoshii. ''Nós já tínhamos o curso de alfabetização para funcionários e pensamos que deveríamos fazer alguma coisa para as mulheres deles também. Queríamos algo que fosse aprazível, que trouxesse auto-estima para elas, trabalhasse com o belo e tivesse relação com a empresa'', comenta Kimiko Yoshii.
Durante as tardes de quarta-feira, no prédio da A. Yoshii, as alunas aprendem como trabalhar com materiais diferentes e com várias técnicas de artesanato. A construtora cede o espaço e os materiais e conta com a ajuda de professoras voluntárias. que ganham uma ajuda da empresa. ''São elas que escolhem os materiais nas obras. Desde o começo do curso, as alunas já tiveram várias professoras que ensinaram técnicas diferentes'', afirma Leonardo.
A artista plástica Ana Andrade entrou no projeto por acaso, depois de um convite feito pela construtora. ''Eu vim até aqui oferecer meus quadros para o show room da empresa e eles me convidaram. Gosto de ensinar o que eu sei e acho muito importante esse tipo de iniciativa para essas mulheres. Muitas ficavam em casa sem saber o que fazer para ganhar dinheiro e o artesanato possibilita isso'', diz.
Ana está ensinando às alunas como fazer peças decorativas feitas de barricas de argamassa e jornal. ''Antes elas só faziam peças simples. Agora, já sabem como trabalhar com textura, texturato, massa corrida'', explica a professora. ''Como são peças que precisam ser cortadas, pintadas, lixadas, as mulheres levam boa parte do trabalho para casa. Lá, a família todo participa, o que traz união'', afirma Adriana Castro, coordenadora do Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii de Promoção à Cidadania.
A auxiliar administrativa Dirce Guelfi é mãe de um funcionário da A. Yoshii e está no curso desde o início. Para ela, o artesanato traz vários benefícios. ''Eu nunca imaginei que tivesse vocação para fazer peças tão bonitas. Estou adorando as aulas porque servem como uma terapia, além de colaborar com o meio ambiente. Agora quero ensinar minha mãe a fazer as caixas'', comenta.
E ela já vê no aprendizado uma possibilidade de ganhar dinheiro. ''Peço em outras construções para separar as barricas e faço as caixas em casa. Chamei uma vizinha que trabalha com cestas de flores para ver. Ela me convidou para fazer as caixas para melhorar o aspecto dos arranjos. Acho que vai ser uma boa fonte de renda'', sonha.
Atualmente, toda a produção das alunas gera retorno financeiro. As caixas decoradas são compradas pela própria A. Yoshii e usadas em arranjos para presentear os clientes da empresa. ''Nossa demanda interna compra todas as peças feitas pelas alunas e os clientes adoram o brinde que vem com o brinde. uma garrafa de champanhe e duas taças. Para o ano que vem, queremos colocar o trabalho delas no show room da empresa'', afirma Leonardo. ''Estamos cuidando do bem-estar delas e também oferendo uma forma de ganho. É muito satisfatório ver a alegria e a motivação das alunas, qeu chegaram sem saber fazer nada e hoje montam peças lindas em casa'', completa Kimiko.

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