Entulho vira arte
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Antes de uma construção terminar, muito entulho vai se acumulado na forma de restos de azulejo, massa, tinta, latas de argamassa, papéis variados, madeira. Esse material, que antes ia para o lixo, na A.Yoshii agora é matéria-prima que se transforma em belos produtos de artesanato.
Com o projeto Criando Arte, a construtora utiliza parte do lixo das obras para ensinar familiares dos seus colaboradores a fazer peças decorativas. ''As aulas começaram em maio deste ano com dois objetivos principais: preservar o meio ambiente, diminuindo a produção de lixo e aproximar a família dos funcionários da empresa. Muitas alunas do curso nunca tinham estado na empresa antes'', diz o diretor de marketing da empresa, Leonardo Yoshii.
A turma de alunas é formada praticamente de esposas, mães e irmãs dos homens que trabalham nas obras da A.Yoshii. ''Nós já tínhamos o curso de alfabetização para funcionários e pensamos que deveríamos fazer alguma coisa para as mulheres deles também. Queríamos algo que fosse aprazível, que trouxesse auto-estima para elas, trabalhasse com o belo e tivesse relação com a empresa'', comenta Kimiko Yoshii.
Durante as tardes de quarta-feira, no prédio da A. Yoshii, as alunas aprendem como trabalhar com materiais diferentes e com várias técnicas de artesanato. A construtora cede o espaço e os materiais e conta com a ajuda de professoras voluntárias. que ganham uma ajuda da empresa. ''São elas que escolhem os materiais nas obras. Desde o começo do curso, as alunas já tiveram várias professoras que ensinaram técnicas diferentes'', afirma Leonardo.
A artista plástica Ana Andrade entrou no projeto por acaso, depois de um convite feito pela construtora. ''Eu vim até aqui oferecer meus quadros para o show room da empresa e eles me convidaram. Gosto de ensinar o que eu sei e acho muito importante esse tipo de iniciativa para essas mulheres. Muitas ficavam em casa sem saber o que fazer para ganhar dinheiro e o artesanato possibilita isso'', diz.
Ana está ensinando às alunas como fazer peças decorativas feitas de barricas de argamassa e jornal. ''Antes elas só faziam peças simples. Agora, já sabem como trabalhar com textura, texturato, massa corrida'', explica a professora. ''Como são peças que precisam ser cortadas, pintadas, lixadas, as mulheres levam boa parte do trabalho para casa. Lá, a família todo participa, o que traz união'', afirma Adriana Castro, coordenadora do Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii de Promoção à Cidadania.
A auxiliar administrativa Dirce Guelfi é mãe de um funcionário da A. Yoshii e está no curso desde o início. Para ela, o artesanato traz vários benefícios. ''Eu nunca imaginei que tivesse vocação para fazer peças tão bonitas. Estou adorando as aulas porque servem como uma terapia, além de colaborar com o meio ambiente. Agora quero ensinar minha mãe a fazer as caixas'', comenta.
E ela já vê no aprendizado uma possibilidade de ganhar dinheiro. ''Peço em outras construções para separar as barricas e faço as caixas em casa. Chamei uma vizinha que trabalha com cestas de flores para ver. Ela me convidou para fazer as caixas para melhorar o aspecto dos arranjos. Acho que vai ser uma boa fonte de renda'', sonha.
Atualmente, toda a produção das alunas gera retorno financeiro. As caixas decoradas são compradas pela própria A. Yoshii e usadas em arranjos para presentear os clientes da empresa. ''Nossa demanda interna compra todas as peças feitas pelas alunas e os clientes adoram o brinde que vem com o brinde. uma garrafa de champanhe e duas taças. Para o ano que vem, queremos colocar o trabalho delas no show room da empresa'', afirma Leonardo. ''Estamos cuidando do bem-estar delas e também oferendo uma forma de ganho. É muito satisfatório ver a alegria e a motivação das alunas, qeu chegaram sem saber fazer nada e hoje montam peças lindas em casa'', completa Kimiko.


