Entre o pódio e a balança
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sexta-feira, 16 de novembro de 2001
Celso Mattos 
Quem assiste pela televisão a explosão de emoções que os atletas sentem ao receber uma medalha, principalmente se for nos Jogos Olímpicos, não consegue entender o motivo de tanta alegria. Porém, basta acompanhar por algumas horas ou conhecer um pouquinho da rotina diária desses esportistas para entender que uma medalha significa dias, meses, anos de renúncia, privações e a dedicação de uma vida inteira ao esporte.
A medalha é a compensação, a glória e a conquista do paraíso por todos os anos vividos no purgatório, que se resume a horas e horas de cansativos treinos e uma rígida dieta alimentar. É preciso gostar muito para suportar a dura rotina de um esportista. No caso da Ginástica Ritmica Desportiva (GRD), o rigor é intenso, pois a disputa nessa área é acirrada. E a batalha começa com a balança: as atletas precisam controlar a alimentação para não ganhar peso.
Entretanto, nem sempre a orientação alimentar dos atletas é feita por um especialista, como mostrou uma pesquisa realizada pela nutricionista Cláudia
Juzwiak, de São Paulo. A pesquisa faz parte de sua dissertação de mestrado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), defendida em outubro. Ela entrevistou 55 técnicos de atletas adolescentes do Estado de São Paulo, no que diz respeito à nutrição.
Prejuízo Os resultados mostraram que apenas 13% das equipes contam com o apoio de uma nutricionista. Cerca de 43% dos técnicos disseram que adquirem informações sobre nutrição com colegas de trabalho e repassam para seus esportistas. Outros 60% fazem uso de revistas de saúde e beleza para orientar os atletas.
A pesquisa feita por Cláudia mostrou, por exemplo, que 93% dos técnicos sabiam que os atletas devem beber água antes, durante e depois dos exercícios. Apesar disso, 30% acham que chupar gelo e molhar a boca com água é mais adequado em competições, e 66% apontaram a sede como um bom indicativo de que está na hora de se hidratar. ''O atleta precisa beber água de 15 em 15 minutos. Quando ele sente sede já passou há muito tempo a hora de se hidratar'', explica Cláudia Juzwiak.
Para a nutricionista Simone Martins, de Londrina, que há três semanas está avaliando e orientando as atletas da Seleção Brasileira de GRD, os dados apresentados pela pesquisa refletem a realidade brasileira. ''Na maioria da vezes, é a própria atleta que estabelece sua dieta alimentar. Isso pode trazer prejuízo para a saúde e também para o desempenho desportivo'', avalia.
A técnica da Seleção Brasileira de GRD, Bárbara Lafranchi, revela que quando não havia nutricionista na equipe, era ela quem orientava a alimentação das ginastas. ''Mas não acho isso correto. Sou formada em Educação Física e tenho apenas noções de alimentação, mas não sou uma especialista na área, portanto, a presença de um profissional de nutrição é fundamental. No entanto, sei que a realidade do esporte brasileiro nem sempre possibilita isso. Só agora nós conseguimos ter uma nutricionista na equipe'', diz a técnica. n


