A cada dia os deficientes físicos estão conquistando seu espaço no mundo dos esportes. Vencer os limites do próprio corpo e ultrapassar barreiras sempre fizeram parte do dia-a-dia de quem perdeu parte dos movimentos físicos. Mas é através das atividades esportivas que eles podem ultrapassar essas dificuldades de forma diferente, disputando modalidades que acreditavam ser impossíveis. Além de servir de interação do deficiente com outras pessoas, a prática esportiva proporciona uma qualidade de vida melhor.
Partindo desse princípio, muitos profissionais de Educação Física estão se especializando na área e incluindo o tema na programação de congressos e simpósios. O professor Ari Fernando Bittar, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que esteve em Londrina participando da IX Caravana do Esporte Educacional, promovida pelo Ministério da Educação e Cultura e organizada pela Universidade do Norte do Paraná (Unopar), defende que é não preciso criar nada de novo, apenas adaptar o que já existe.
Arquivo PessoalAlunos simulam situações que os deficientes auditivos
enfrentam no dia-a-dia‘‘Todos os esportes podem ser praticados por deficientes físicos, respeitando o limite e o grau do problema. Uma pessoa de cadeira de rodas não pode jogar futebol, mas pode nadar, jogar xadrez ou vôlei’’. Mas para quem não abre mão de bater uma bolinha, o professor informa que já existe o goalball, uma espécie de futebol jogado com as mãos. ‘‘Um deficiente visual, por exemplo, pode praticar ciclismo, desde que acompanhado de alguém com visão normal’’, salienta o professor.
Além de ser uma forma de lazer e interação, a educação esportiva para o deficiente físico faz bem para a saúde. ‘‘Melhora a irrigação sanguínea, a respiração cardiorrespiratória e desenvolve a musculação. Se para uma pessoa que se movimenta normalmente a atividade física é importante, imagine para alguém que fica sempre sentado numa cadeira de rodas’’, observa Ari Bittar.
Paulo Wolfgang‘‘É preciso apenas adaptar o que já existe’’, afirma o professor de Educação Física Ari Fernando BittarEspecialização O professor Gilmar Carvalho da Cruz, do Departamento de Fundamentos da Educação Física, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), acredita que esta é uma forma de ampliar e possibilitar a participação do deficiente na sociedade. ‘‘Essas pessoas podem e devem ocupar seu espaço social como qualquer outra’’, defende o professor.
Gilmar Carvalho é coordenador do projeto ‘‘Educação Física Orientada para Portadores de Deficiência’’, que atualmente conta com a participação de 100 deficientes físicos e mentais em esportes como natação, ginástica olímpica, musculação, vôlei e basquete. ‘‘Nosso objetivo é instrumentá-los e prepará-los para frequentarem o Zerão, os clubes da Cidade e até participar de campeonatos. Não queremos que eles fiquem dependentes de uma instituição para praticar seu esporte preferido’’, ressalta, lembrando que a natação é a modalidade mais procurada pelos deficientes.
Como essa é uma atividade recente, existe a necessidade de preparar profissionais para trabalhar nessa área. ‘‘Por esse motivo, fizemos uma proposta de criação do curso de especialização em ‘‘Educação Física Orientada para Pessoas Portadoras de Deficiência’’, que deve começar a funcionar no próximo ano, na UEL. Mas enquanto isso não acontece, estamos incluindo uma disciplina específica no curso de pós-graduação em ‘‘Educação Física do Ensino Fundamental e Médio’’ já em funcionamento na Universidade’’, explica Gilmar Carvalho.
Serviço:Arquivo PessoalAlunos e professores simulam uma deficiência visual para sentir as dificuldades dos cegosCelso Mattos

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