Entorse pode mascarar lesão grave
Estima-se que 70% da população mundial apresente pelo menos uma lesão nos pés em alguma fase da vida. Entorses, tendinites e fascites são as lesões mais frequentes e, geralmente, ocorrem durante a prática de algum esporte, especialmente o futebol e a corrida, pelo uso de calçados inadequados, por falta de alongamento e desequilíbrio da força muscular.
Os entorses de tornozelo, que comprometem os ligamentos, são os campeões em queixas. Também são as lesões tratadas com mais descaso pela população. Segundo ortopedistas e fisioterapeutas, a maioria das pessoas só procura ajuda médica quando o entorse a impossibilita de andar ou praticar os esportes habituais.
Colocar gelo, pomadas e ervas no local lesionado até alivia em muitos casos a dor, mas pode mascarar problemas mais sérios, deixar o local vulnerável a novas lesões, além de levar a pessoa a adotar posturas incorretas para compensar o local dolorido.
Segundo o ortopedista Caio Augusto de Sousa Nery, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé, a ruptura de um ligamento do tornozelo, por exemplo, pode não incomodar em um primeiro momento, mas vai se manifestar com mais gravidade quando a pessoa precisar de um esforço maior. ''O sujeito vai correr para atravessar a rua, por exemplo, e o pé pode fraquejar'', afirma. Esse ''fraquejar'' pode significar a ruptura de dois ou mais ligamentos do tornozelo.
''O principal problema é que as pessoas sedentárias iniciam uma atividade física sem o menor preparo e sem a orientação de um profissional'', afirma o ortopedista Pedro Doneux, presidente da Sociedade Paulista de Ortopedia. Associado ao despreparo físico, segundo ele, está a escolha errada do calçado para a prática esportiva.
Mas não são apenas os esportistas amadores que descuidam do tratamento correto das lesões. Segundo o ortopedista Moisés Cohen, 49, professor e chefe do centro de traumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os atletas profissionais também negligenciam no tratamento dos entorses. ''Se não trata na primeira vez, a possibilidade de novas lesões é muito maior e, certamente, isso irá acontecer em competições futuras'', diz.
Cohen, que já operou jogadores como Vampeta e Raí, considera fundamental que a pessoa procure um ortopedista para avaliar, por meio de exames clínicos e de raios X, a gravidade da lesão. ''Se for um ligamento, basta um imobilizador. Se for dois ou mais, é quase certa a necessidade de cirurgia'', afirma. (C.C./Agência Folha)





