Balanço Geral
Rosângela Vale
Enviada Especial
Terminada a maratona de desfiles outono-inverno do MorumbiFashion, que movimentou São Paulo durante uma semana, chega a hora da verdade. Quem arrasou? Quem decepcionou? O que realmente vai ser moda quando o frio chegar? Confira as opiniões de algumas experts no assunto, que analisam também a organização desta IV edição do evento.
Fotos: Karla Matida‘‘Alguns estilistas confirmaram uma evolução que já vinha acontecendo, como é o caso de Renato Loureiro. O Reinaldo Lourenço, a Glória Coelho e o Alexandre Herchcovitch são, realmente, talentos especiais dentro da moda. A Iódice, a Zapping e a Equilíbrio cresceram bastante. Algumas marcas não foram muito felizes, como a Patachou e a Ellus, que com essa história de querer ser minimal e cool, ficou muito empobrecida na passarela. É muito fácil mostrar uma roupa em preto, porque já é meio caminho andado para ganhar uma aura de chique. Então, se tem só roupas pretas, precisaria trabalhar mais a matéria, a forma. Faltou isso para a Ellus.
Como tendência, sem dúvida, é o inverno do cinza. Tem ainda as cores fortes: azul royal, pink, verde e amarelo, pela influência dos esportes radicais, além do preto, claro. A silhueta é muito reta, longilínea, mesmo com as saias plissadas, que não têm um cara apenas colegial, são femininas. Acredito que o japonismo vai ser bem aceito, tem umas assimetrias que insinuam o corpo de um lado, escondem do outro, com uma feminilidade e uma sensualidade novas, com cara de anos 90, não anos 80. Por isso, é uma tendência tão forte. Em termos de organização, acho que o evento fica enfraquecido quando usa sete dias para mostrar apenas 19 grifes’’.
Lilian Pace, do jornal O Estado de S. Paulo.
‘‘Gostei bastante do Alexandre Herchcovitch, do Lino Villaventura, da Zapping, do Renato Loureiro, da Glória Coelho e do Reinaldo Lourenço. Acho que em geral o evento deu um grande salto de qualidade, os estilistas estão mais soltos, trabalhando com mais liberdade, mais intimidade com as tendências internacionais. Cresceu também em termos de organização: está um pouco menos histérico e mais profissional, tem menos oba-oba, menos deslumbramento e maior preocupação em mostrar o trabalho das pessoas, porque senão a mídia no Brasil tende a transformar tudo em modismo e a moda não pode ser tratada assim. Em termos de tendência, o jeito como os estilistas estão trabalhando o japonismo, que é um movimento inspirado em Yohji Yamamoto e Commes des Garçons, é outro caminho legal, tem propostas bem usáveis. A coisa dos esportivos é superbacana porque é jovem e é uma boa maneira de deixar a moda um pouco mais confortável e, e ao mesmo tempo, urbana’’.
Érica Palomino, colunista da Folha de S. Paulo.
‘‘Eu acho que foi uma ótima temporada, com alguns pecados mortais. Foi muito longa, não precisa ter tanto dias. Em Paris, a gente vê 10, 12 desfiles em um dia. Por que aqui tem que ter só dois? Fica uma canseira, um tédio até. Em termos de moda, não foi emocionante, com algumas pouquíssimas exceções. Eu gostei muito do desfile do Alexandre Herchcovitch, ele realmente faz estilo, tem uma identidade própria. Moda usável, divertida, sofisticada: Reinaldo Lourenço. Uma surpresa superagradável, a coleção do Renato Loureiro, que fechou com tricôs deslumbrantes, cores muito interessantes. A Forum fez o desfile mais profissional, eficiente e competente. Eu não sou uma entendida em moda masculina, mas o desfile do Ricardo Almeida foi eficientíssimo. Ele teve a idéia simpática de convidar os fotógrafos de moda para desfilar, e fez a passarela mais bonita. O Lino Villaventura já fez coisas excepcionais, a coleção do ano passado atingiu o auge, porque era uma concepção muito particular mas tinha um link com a realidade, o que não aconteceu dessa vez. É um trabalho talentoso, deve ter dado muita mão-de-obra, mas não é moda, é figurino de teatro’’.
Regina Guerreiro, correspondente da revista Elle em Paris.
‘‘Achei a estrutura ótima, mas a duração do evento foi muito longa. A qualidade das modelos melhorou, elas estão desfilando melhor, está todo mundo mais tarimbado. Os estilistas estão cada vez mais maduros e, alguns deles, com estilos determinantes, marcantes e pessoais, como Reinaldo Lourenço, Tufik Duek e Alexandre Herchcovitch. Alguns desfiles pecam pela edição, excesso de roupas na passarela, looks muito repetitivos, mas, no geral, a moda só vem melhorando’’.
Patrícia Carta, editora da revista Vogue.
‘‘O MorumbiFashion está com uma estrutura maravilhosa, cada vez vai chegando perto do ideal da perfeição de um evento de moda importante, como no mundo todo. Isso inclui tudo, confecções, modelos, imagem dos desfiles, cabelo, maquiagem e organização. Este ano tivemos menos atrasos que nos anos anteriores. Entre os melhores trabalhos, acho que o desfile da Zapping foi extraordinário, e o da Ellus, maravilhoso. Em termos de estilo, destaco a Glória Coelho, o Reinaldo Lourenço e a Forum. Não gostei da M. Officer. Algumas marcas, como a Maria Bonita e a Triton, fazem falta no evento’’.
Amália Spinardi, editora de moda da revista Capricho.

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