Não tem jeito. É só começar um friozinho que a gente passa logo a sentir mais fome. E não é aquele tipo de fome que acaba com uma fruta ou salada, o corpo parece exigir comidas mais pesadas, como pães e massas. Como consequência, geralmente acabamos o inverno com alguns quilinhos a mais.
De acordo com a nutricionista e professora da Unifil Michele Caroline de Costa Trindade, essa mudança nos hábitos alimentares se deve à uma maior necessidade do organismo em consumir calorias. ''Elas são importantes para manter a temperatura do corpo e melhorar a resistência orgânica'', explica. Para suprir essas carências, acabamos comendo mais alimentos ricos em carboidratos, como pães e massas.
''Os carboidratos são a fonte primária de energia do corpo e servem como combustível para o cérebro, medula, nervos periféricos e células vermelhas do sangue. Por isso que no frio comemos mais alimentos ricos em carboidratos. É uma necessidade natural'', afirma Michele. O nutriente também é importante para reação de absorção do triptofano, substância responsável pelo bem-estar e bom humor.
Ganho de peso Praticamente todos os alimentos contêm carboidratos, com excessão das carnes e dos óleos, mas os grandes fornecedores, segundo Michele, são mesmo os grãos, massas, pães, biscoitos, doces e frutas. O problema é que, se consumido em excesso, o carboidrato acaba sendo armazenado em forma de gordura pelo organismo, exatamente o que acontece no tempo de baixas temperaturas. ''Para não engordar, a pessoa precisa manter a taxa de carboidratos entre 50% e 60% do total de calorias consumidas durante o dia. Se a dieta é de 1700 Kcal por dia, cerca de 900 kcal devem vir dos carboidratos, o restante deve ser de gordura, proteínas. No inverno, essa taxa pode subir até no máximo 75% das calorias diárias. Mas esses números variam de acordo com a rotina de cada pessoa'', diz.
Outro cuidado importante na hora de escolher os alimentos é misturar os carboidratos com outros alimentos. A nutricionista explica que, como eles são absorvidos rapidamente pelo organismo, a combinação ajuda a manter a saciedade. ''O total de carboidratos que serão consumidos deve ser dividido entre todas as refeições do dia. Para não sentir tanta fome, o correto é comê-los junto com fibras ou gorduras, que são digeridas mais lentamente. Um exemplo pode ser o pão francês. Ao invés de comer só ele, o melhor é comê-lo com margarina ou manteiga ou uma fatia de queijo ou presunto.''
Misturas Para quem precisa perder peso, a dica é evitar comer os carboidratos à noite e misturar vários tipos de carboidratos numa mesma refeição. ''Como eles são ricos em calorias, para manter a forma é recomendável comer menos nesse horário. Outro erro comum é misturar, por exemplo, macarrão com batata, duas fontes de carboidrato. A combinação arroz e feijão é muito boa, mas se a pessoa resolver acrescentar batata também, precisa se lembrar de diminuir a quantidade de arroz ou de feijão, para não ultrapassar a necessidade diária do nutriente'', ensina.
Para quem imagina que eliminando os carboidratos da dieta fica fácil emagrecer, Michele garante que essa não é a melhor opção. ''Existe aquele regime que ficou famoso por causa da eliminação dos carboidratos e da perda de peso rápido. O problema é que dificilmente a pessoa consegue seguir a dieta, pois esses alimentos são fundamentais para manter o bom humor. Além disso, o carboidrato é responsável pela absorção de água no organismo, e o excesso de proteína, típica dessa dieta, causa aumento na produção de urina. Juntando tudo, o risco de uma desidratação é bastante grande. O melhor é sempre manter uma alimentação balanceada'', garante.

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