Pais de Beatriz, de 5 anos, e Isabel, de 3, o advogado Fábio César Teixeira e a fonoaudióloga Ana Karina Teixeira aproveitam filmes, desenhos e situações do dia a dia para conversar com as meninas sobre preconceito. "Elas também têm contato com crianças com deficiência, isso ajuda a aceitar o diferente. A Beatriz tinha algumas dúvidas sobre uma coleguinha, expliquei e logo depois ela chegou dizendo que estava brincando com a amiga", afirma.

Mesmo com os brinquedos, as meninas têm liberdade de escolher o que quiser. Ana Karina diz que Beatriz escolheu comprar uma boneca negra, enquanto Isabel gosta de bola e carrinhos. "Não é proposital comprarmos, é uma escolha delas e acho legal", diz.

A mãe acredita que as crianças tendem a copiar os adultos e, por verem os pais tratando todos igualmente, repetem o comportamento. "Queremos formar indivíduos que respeitem a diferença, que não pensem que são melhores do que ninguém. As ensinamos a esperar na fila nas festinhas, a dividir brinquedos. Elas nunca fizeram escândalo por dividir nada com outras crianças. Ensinamos que tudo é de todos e também ensinamos a valorizar o dinheiro, por isso quando querem algo elas perguntam se podemos comprar", explica.

Ana Karina conta que algumas vezes sente que tem um posicionamento diferente de outros pais, já que esse comportamento ainda não é uma unanimidade. "Eu cresci com esses valores, foi meio natural passar isso para as meninas. Procuro sempre inseri-las em atividades culturais e ali vejo pessoas como nós. Mas em alguns lugares ainda me sinto um pouco estranha, as pessoas pensam muito diferente" lamenta. (E.G)

mockup