Muito se fala do apogeu e declínio da cafeicultura paranaense – e da famigerada "geada negra" de 1975 (que dizimou os nossos cafezais) -, mas o que poucos sabem é que essa história ainda tem muito o que nos ensinar e pode ser vivenciada na prática, em uma modalidade de "turismo de imersão", ou, melhor, "vivência". Colocado em prática há cinco anos por iniciativa do Sebrae/PR, a "Rota do Café" tem movimentado o turismo rural na região do Norte do Paraná e consegue levar os turistas participantes a realmente "voltar no tempo" e a compreender melhor esse período tão importante da nossa história.

Além de poder conhecer os mais de 30 pontos turísticos elencados nas nove cidades participantes atualmente do programa, ainda é possível se deliciar com a gastronomia regional e ter um contato mais direto com as pessoas que viveram esse período e fazem questão de compartilhar com prazer essa memória cultural. Recentemente, jornalistas e blogueiros - locais e de outras cidades - foram convidados a conhecer essa rota turística e o passeio surpreendeu mesmo quem é daqui. Fazem parte da Rota do Café as seguintes cidades: Londrina, Cambé, Rolândia, Mauá da Serra, São Jerônimo da Serra, Uraí, Santa Mariana, Ibiporã e Ribeirão Claro.

No roteiro que fizemos durante dois dias, sem pernoitar, começamos por conhecer detalhadamente a história do café paranaense no Museu Histórico de Londrina. A visita incluiu uma interessante e saborosa oficina de café com a barista Cristina Maulaz, de O Armazém, em Londrina, antes de seguirmos estrada para conhecer propriedades rurais em Rolândia, Ribeirão Claro e Santa Mariana. A cada parada, uma surpresa e a oportunidade de reeducar o olhar para perceber belezas tão próximas de nós.

Na Chácara Marabu, conhecida por suas deliciosas geleias artesanais, é possível conhecer um modo de vida que privilegia a autossustentabilidade e o consumo de produtos orgânicos. No almoço vegetariano servido ao grupo, comidas deliciosas e inusitadas – como o charuto de folha de urtiga recheado com farofa de cenoura (e que parece ter propriedades nutricionais que garantem mais proteína que a carne).

Mantido por uma família de origem suíça, vale a pena conhecer um pouco mais sobre a história da vinda dos avós de Adrian Saegesser, que encontraram na região um refúgio da Segunda Guerra Mundial. A propriedade ainda possui chalés para hospedagem com estrutura simples e rústica, mas confortável e perfeita para quem quer sossego e proximidade com a natureza. O passeio a pé pela mata ainda proporciona encontros inesperados, como um imenso bambuzal que demora apenas três meses para atingir tamanha altura, além da companhia constante de borboletas azuis e coloridas.

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