De acordo com a psicanalista Sônia Gazziero, não há apenas um fator desencadeante de doenças psicossomáticas como a alopécia. É preciso observar como o problema se resolve na medida em que os componentes emocionais são trabalhados no decorrer da análise.
Ela afirma que a hipótese mais provável para o problema assim como para todas as doenças orgânicas com fundo emocional é a falta de recursos pessoais para pensar as emoções: elas permanecem na experiência física concreta, sensorial, não vão para o plano simbólico. ''A fisiologia acaba prejudicada, pois o corpo tem que cumprir a tarefa que a mente não dá conta'', esclarece.
Segundo a psicanalista, o bebê vive as experiências em nível físico, sensorial. A mãe é que pensa por ele, que vai ajudá-lo a construir a mente. Se isso não acontece por falha nessa relação primária ou por ambiente desfavorável a pessoa não aprende a elaborar as emoções.
No caso da alopécia, Sônia afirma que a sua experiência clínica mostrou bons resultados. Em um ano, o sintoma (a queda do cabelo) costuma desaparecer. Aí afloram os reais problemas, a verdadeira causa. ''O sintoma é só uma expressão, uma defesa. Depois, o tratamento é mais demorado, artesanal. A gente não dispõe de recursos mais rápidos, pois a medicação não vai ajudar a pessoa a se fortalecer diante dos problemas. É preciso construir uma base sólida para isso'', ressalta. (R.V)

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