Queenstown - Você é pesado numa balança, responde a um questionário sobre seus problemas de saúde, assina um termo de responsabilidade, assiste a um vídeo em que garotinhos de dez anos saltam alegremente. Ficaria muito chato recuar depois de tudo isso. Mas a vontade de "amarelar" cresce à medida que o tempo passa, e é difícil saber se vai restar coragem para saltar no fatídico momento em que olhar para baixo, do alto dos 43 metros que separam a ponte Kawarau do rio homônimo, que corre lá embaixo, bem lá embaixo.
Estou em Queenstown, a capital da aventura na Nova Zelândia, em meio a um tour para explorar aspectos bem distintos do país: da metrópole Auckland às ermas locações de O Hobbit, dos vinhos cobiçados às entranhas vulcânicas de Rotorua.

Mas nada disso me veio à mente no momento em que minhas pernas eram presas ao elástico por dois jovens simpáticos, que tentavam (em vão) me descontrair, puxando assunto sobre a Copa do Mundo. Sei que eles amarram centenas de pernas por dia ali na AJ Hackett Bungy - onde o bungy jump foi inventado em 1988 -, mas será que não se distraem conversando? E se esquecerem de dar algum nó ou de atar alguma presilha enquanto ouvem minha opinião sobre o time do Felipão?

Com tudo preparado, os rapazes pedem que eu sorria para a câmera da base. Depois de olhar para baixo, não consigo nem achar a câmera, quanto mais sorrir. Querem saber se desejo tocar a água quando chegar lá embaixo. Bom, seria legal molhar a mão naquela água fria e azulzinha. Eu topo.

Falam que posso ir e dou alguns passinhos ridículos, da maneira que consigo, com os tornozelos amarrados. E salto. Dou um grito (másculo), sinto um frio na barriga gigantesco e, antes de conseguir identificar emoções, já estou me molhando no gelado Kawarau, não só as mãos - entro nele de cabeça, até os ombros. Mas é gostoso. Mal sinto o frio e já vem a estilingada - o elástico me joga para cima, a tensão vai embora e naquele momento tudo se transforma em diversão, um despreocupado balançar.

Depois, você leva para casa fotos e vídeo do salto - dá para mostrar aos amigos, postar no Facebook, se gabar pelo momento de bravura. E também um diploma no qual atestam que você não é mais um "Average Joe" - a versão do nosso "Zé Mané" para os países de língua inglesa.

Mas ninguém deve se sentir obrigado a saltar apenas para contar aos colegas. Um dos instrutores fez uma pergunta que dá o que pensar: "Você quer saltar ou precisa saltar? São coisas diferentes". Bom, caso você se anime, o salto custa 180 dólares neozelandeses (NZ$) ou R$ 356 e você encontra mais informações em bungy.co.nz.

Apesar da descarga de adrenalina, acredite se quiser: não foi a experiência mais radical da viagem. A aventura continua.

O repórter viajou a convite do órgão de turismo da Nova Zelândia

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Imagem ilustrativa da imagem Emoção a toda prova na Nova Zelândia
| Foto: Fotos: Shutterstock
Queenstown é considerada a capital da aventura na Nova Zelândia
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