Embaladas pelo mesmo som
Marcos BorgesRosa e RenataA jornalista Rosa Abelim cresceu no ambiente rígido de uma família cigana. A convivência era baseada em obediência e respeito, sem questionamentos. Hoje, no entanto, com uma filha, Renata, de 16 anos, as coisas se modificaram. Nós temos uma relação aberta, de amizade. Dividimos os problemas, inclusive os mais sérios. Procuro deixá-la à vontade, mas existem regras, observa Rosa.
Em se tratando de regras, as negociáveis se referem aos horários de saída e chegada, viagens e a lugares que a garota quer frequentar. Para Rosa, sua grande preocupação com a filha adolescente se refere à segurança, em como voltar para casa sozinha em determinados horários. São pontos que ela não abre mão.
E há um ponto que Rosa não negocia com a garota: a onda do ficar. Não quero saber de ficância. Acho que com esse comportamento o adolescente perde a capacidade de querer, de gostar. É simplesmente contato de pele, muito descompromissado, argumenta Rosa. Já Renata alega que é mais legal ficar sem compromisso. Ficar de rolo é melhor, garante a adolescente.
A ligação entre essas duas gerações se dá no campo da música. João Gilberto, Tom Jobim, Marisa Monte embalam o mundo musical delas. Roupas e maquiagem também são comunitárias.
A identidade desta geração, na opinião da jornalista, reside na quebra dos conceitos, no questionamento dos próprios valores e na reação positiva diante dos problemas. E isso acaba aproximando ainda mais mãe e filha.





