Imagem ilustrativa da imagem Emagrecendo sem cirurgia
| Foto: Ricardo Chicarelli


Disposição, motivação, equilíbrio emocional e muita paciência. Mais do que alimentos saudáveis e exercícios físicos, esses são os ingredientes essenciais para que uma dieta funcione e promova mudança no estilo de vida. Apesar das cirurgias para controlar a obesidade estarem em alta, algumas pessoas ainda preferem tentar perder peso sem intervenções médicas, nem remédios. Os resultados, mesmo um pouco mais lentos, são impressionantes.
A universitária Mariana Rosso, de 25 anos, é prova que é possível emagrecer naturalmente e ganhar mais saúde. Em quase um ano ela perdeu 40 quilos e ganhou mais autoestima, saúde e disposição. "Sou outra pessoa", foi como ela resumiu o atual estado de espírito. Para ter motivação para mudar, no entanto, Mariana precisou levar um susto com a saúde.
No final do ano passado ela teve uma crise na coluna e acabou ficando internada duas semanas, sem conseguir levantar. No hospital passou por exames, que constataram que o peso não estava somente prejudicando suas articulações, mas também o fígado, que por conta do excesso de gordura estava desenvolvendo cirrose hepática. "Tenho 25 anos. Foi um choque. Após a internação comecei acupuntura e meu médico falou que se eu emagrecesse o problema melhoraria."
A primeira ação da jovem, no entanto, foi procurar um endocrinologista e fazer uso de remédio para controle do apetite. "Emagreci 12 quilos, mas quando parei engordei 20 quilos", conta. Ainda mais motivada a mudar, ela cortou a gordura do cardápio e começou a fazer academia, com acompanhamento de personal trainer.
"Minha dieta hoje contém carboidratos de baixa absorção, pouco sódio e pouca gordura. Faço academia duas horas e meia por dia, seis dias por semana", diz ela, cuja meta é emagrecer mais 25 quilos. "Mudou muita coisa na minha vida, até no estágio da faculdade, que eu não canso tanto. Consigo andar, meu joelho não dói. E meu namorado fala que eu não ronco mais", brinca. Nos exames que fez mês passado, a melhor notícia que ela poderia receber chegou. "Meu fígado voltou ao normal", comemora.

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| Foto: Marcos Zanutto


Susto e motivação
O jornalista Marcelino Medeiros Junior, de 50 anos, vivia muito bem com o excesso de peso. Ele não sentia que precisava emagrecer. Conta que era "desleixado" com o corpo e a saúde, e estava vivendo de forma sedentária normalmente, até resolver subir em uma balança de farmácia, por curiosidade, após muitos anos sem verificar seu peso. "Quando vi que estava com 134 quilos levei um susto, achei que a balança estava errada. Fui pesar em outra farmácia, e deu 134,5 quilos. Saí de lá muito preocupado", lembra. A primeira atitude do jornalista foi procurar um médico, que pediu uma série de exames e o encaminhou a um cardiologista. "Em dois meses fiz 26 exames. Todos estavam alterados. Uma frase do médico me marcou muito. Ele disse: ‘você quer ver seus filhos crescerem?’. Decidi que não tinha que mudar por mim, mas por eles."
A jornada de Marcelino começou em junho do ano passado. Após iniciar um regime que chamou de "dieta da metade" - ao invés de radicalizar na alimentação, simplesmente começou a comer a metade da quantidade anterior -, e iniciar atividade física, o jornalista emagreceu 51 quilos. "No início eu só caminhava, até pelo excesso de peso. Depois comecei caminhada forçada, depois fui para o trote e hoje já consigo correr. Como eu enjoo da mesma atividade física, faço ciclismo e natação também", diz ele, que treina dia sim, dia não, alternando os três exercícios.
"Cheguei na minha meta de peso, que é 83 quilos. Meu peso normal seria 88, mas eu gosto de ter uma margem para poder abusar, de vez em quando. Hoje termino esse processo de emagrecimento e começo o processo para manter o peso. Sou outra pessoa, principalmente em relação à atividade física. Não consigo ficar sem, senão fico mal", relata.
A autoestima dele também mudou, e a aceitação pelo novo corpo foi natural. "Achar roupas em lojas é mais fácil, atividades normais também. Até meu seguro de vida diminuiu o valor da parcela após eu preencher meu novo perfil. Ano passado, por conta da obesidade, eu tinha 49 anos mas meu perfil era de alguém de 55, pelo estilo de vida, exames e problemas de saúde que eu poderia desenvolver. Hoje, que eu tenho 50, por conta do atual peso e dos meus exames normais, a idade do perfil caiu para 47. Emagrecer também fez bem para o bolso", conclui.

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