Na corrida por uma vaga na universidade, a intensidade de dedicação aos livros e cadernos é grande, pelo menos para a maioria dos candidatos. Se de um lado há alunos que levantam a bandeira do aprendizado sozinhos, do outro há os que preferem estudar em grupo. Mas, defendem especialistas, as duas dinâmicas são bem-vindas e podem e devem ser empregadas na rotina de estudos dos vestibulandos.

"É possível as duas maneiras de estudo. Em grupo é eficiente quando entre professor e aluno existam diferenças e isso traga novas linguagens. O debate leva a resultados satisfatórios. Há ainda a hipótese de que o estudo em grupo permite o acesso ao conteúdo por uma linguagem mais acessível, sem contar que fortalece os laços entre os alunos, que estão ali vivendo a mesma situação, criando assim uma competição saudável", diz Sandra Arcuri, professora de Produção de Texto e História da Arte e Literatura, do Colégio Universitário.

Do outro lado, explica a professora, o estudo solitário também é necessário, uma vez que o aluno tem tempo de verificar o que ele absorveu do conteúdo por meio dos exercícios, aprendendo com isso, a lidar com seu tempo, além de aprimorá-lo.

"O mais razoável é que o aluno estruture sua agenda de acordo com seu ritmo. Ele precisa desenvolver disciplina e rotina, esta última importante na vida de todos, pois sem rotina o ser humano vive no caos. Fora isso, é preciso ter perseverança, pois aprender exige tentar muito. Neste caso, o aluno precisa de ordem no lugar de estudo, higiene, iluminação adequada. Tudo isso conta também", considera Sandra.

A psicopedagoga Thaíssa Brasil destaca que hábitos diários de estudo e planejamento do que vai ser estudado são ingredientes primordiais na busca por uma vaga no curso tão desejado, levando em conta a forma como o indivíduo retém melhor o que aprendeu. Ela orienta que o uso de algumas dinâmicas de estudos podem colaborar muito nesta fase, tais como gravar e depois ouvir sobre o assunto, fazer resumos, elaborar perguntas e respostas, explicar o assunto para si mesmo, além de ter um cronograma de estudos distribuído ao longo do tempo.

"Aumentar os estímulos ao aprendizado, sejam eles visuais ou auditivos, usar estratégias como figuras, gráficos, filmes sobre o assunto. Enfim, tudo que favoreça ao entendimento e à retenção do conteúdo deve ser adotado pelo aluno para que obtenha o máximo de conhecimento possível", indica a psicopedagoga.

Diante de horas de estudos, as profissionais destacam também a importância do descanso e lazer que, segundo elas são fundamentais nesta e em todas as fases da vida. "Com organização, planejamento e disciplina, dá para fazer tudo, estudar e se divertir", diz Thaíssa.

O papel da família
Sandra Arcuri, concorda e completa dizendo que os pais não devem tirar seus filhos de atividades paralelas, de momentos de lazer, como por exemplo um esporte, uma aula de violão. "Não possuímos apenas uma inteligência, precisamos também ingressar em outros universos. As pessoas podem ter vários talentos. Todos possuímos habilidades múltiplas que precisam ser estimuladas".

As especialistas alertam que a família tem papel fundamental no momento de preparação. "É comum nesta fase filhos ficarem ansiosos e se cobrando demais. Aí entram os pais, apoiando o estudante", destacam.

"Existem pais e pais. Os que deixam andar sozinho demais, menosprezando o momento ou mesmo tendo medo de abordar o assunto com o filho. E também erram aqueles que cobram o tempo todo, que falam do assunto toda hora, seja num momento de lazer ou na hora da refeição. Os pais precisam ter equilíbrio. Eles precisam olhar para este filho todo dia, tendo um laço afetivo, ver que existe a hipótese de aprovação, mas que saibam também que se ela vir ou não naquele momento, o filho não vai ser mais ou menos digno. Se os pais possuem condições financeiras, invistam em seus filhos, caso não tenham, que leiam um livro com ele. Mas todos devem incentivar com palavras e afeto", aconselha Sandra.

Imagem ilustrativa da imagem Em grupo ou sozinho?
| Foto: Saulo Ohara
A professora Sandra Arcuri orienta que o aluno organize sua agenda de acordo com seu ritmo de estudo; à família cabe o apoio sem excesso de cobranças
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