Em estado de alerta
Celso Mattos
A ansiedade é uma emoção natural, positiva e necessária para o ser humano. Ela se torna um problema quando começa a ficar tão intensa a ponto de incapacitar o indivíduo para determinadas tarefas. É o que os especialistas classificam de ansiedade patológica. Ao contrário do que muitos pensam, a preocupação com esse sentimento não é prerrogativa deste final de milênio. A literatura científica do século 11 já apontava a necessidade de pesquisar os motivos e consequências desse comportamento.
Sentir-se ansioso é fundamental para nossas vidas. É um aviso para que fiquemos em estado de alerta, como também é um mecanismo adaptativo porque prepara nosso organismo para a luta ou para a fuga quando temos a percepção de algo ameaçador, define a psicóloga clínica Nione Torres. Ela acrescenta que a ansiedade varia desde uma tênue apreensão, por exemplo, quando a pessoa testa a temperatura da água antes de nadar, até a um pânico desorganizado que impede o indivíduo de controlar suas funções corporais.
Entre esses dois extremos estão as manifestações de medo, insegurança, agitação, intranquilidade, tremedeira no corpo e descompasso nos batimentos cardíacos, aponta Nione Torres. A psicóloga assume que definir o que é sentir-se ansioso é uma tarefa complexa. Cada ser humano é único no seu modo de agir, pensar e, principalmente, sentir. Porém, de uma forma geral, a ansiedade começa com a sensação crescente de que algo ruim está para acontecer. Surge um sentimento vago de perda eminente ou a percepção forte de que algo está escapando ao nosso controle, esclarece.
Ponte e avião Ela argumenta que as pessoas ansiosas superestimam o perigo e subestimam os recursos pessoais para lidar com o mesmo. Ao avaliar uma situação de ameaça, ela tende a selecionar apenas os elementos negativos, deixando de lado os positivos. Na hora de atravessar uma ponte de carro, por exemplo, ela só vê os pontos ameaçadores. É estreita e longa demais, está mal-conservada e não vai suportar o peso do veículo, desconsiderando que por detrás daquela obra existe o trabalho de um profissional habilitado e que a probalidade de uma ponte desabar é mínima, exemplifica.
Nione Torres afirma que a ansiedade se torna um problema quando começa a impossibilitar e a sabotar a vida pessoal e profissional, prejudicando o equilíbrio social, afetivo e intelectual. Para explicar a diferença entre a ansiedade normal e a patológica, a psicóloga usa como exemplo o avião. Na decolagem é natural a pessoa sentir um frio na barriga porque nós aprendemos que é um dos momentos mais perigosos do vôo. É nosso organismo nos avisando que há um perigo. Já o ansioso patológico sequer entra no avião. Ele prefere se esquivar de um perigo que apesar de existir tem pouquíssimas chances de vir a ser confirmado. O ansioso patológico dimensiona tanto o problema que, para ele, todos os aviões caem na hora de decolagem. Ele desconsidera todas as estatísticas que mostram o contrário. observa.
Stress A psicóloga informa também que existe a ansiedade patológica generalizada. Ao invés de focar sua preocupação em uma situação ou objeto específico, a pessoa com esse transtorno apresenta excessiva preocupação com relação ao seu futuro, ao seu desempenho e competência. Vive o tempo todo como se estivesse prestes a sofrer uma grande perda, por isso, está sempre tensa, incapaz de relaxar e, frequentemente, apresenta queixas somáticas como dor de cabeça, problemas estomacais e cansaço, alerta.
Segundo Nione Torres, algumas pesquisas apontam que há pessoas que passam a manifestar um transtorno de ansiedade após vivenciarem um período de stress acentuado. O stress, embora seja um fenômeno de ativação fisiológica provocado por situações que ameaçam o domínio pessoal, pode se tornar um estado de superativação emocional crônica e problemática. Se a pessoa não tiver estrutura para lidar com esses períodos estressantes, a vulnerabilidade biológica e psicológica pode levar a um transtorno de ansiedade momentâneo ou permanente, ressalta.
Serviço: Nione Torres, fone (43) 323-4262.
Orientações
A psicóloga Nione Torres explica que quando a ansiedade se torna patológica, o melhor caminho é procurar um tratamento psicológico. Os resultados têm sido bastante satisfatórios, afirma. Mas para aquelas pessoas que sentem uma ansiedade dimensionada, a psicóloga dá algumas orientações:
Compreenda a ansiedade como um sentimento natural e necessário frente às situações que nos ameaçam.
Pare de lutar com a ansiedade, querendo controlá-la. Nós não temos controle sobre nosso mundo interno.
Encare sua ansiedade, ao invés de tentar se esquivar-se dela. Distancie-a um pouco de você e perceberá que a dimensão que você dá a ela ficará menos significativa.
Evite pensamentos catastróficos. Eles podem desencadear a ansiedade.
Crie um repertório para enfrentamento de acontecimentos estressantes da vida.
Desenvolva pontos de adaptação às mudanças e desafios. Eles são necessários para o nosso crescimento.Apesar de ser um sentimento natural e positivo, a ansiedade pode se tornar um problema quando fica descontrolada
ReproduçãoOs ansiosos estão sempre preocupados e tensos, achando que alguma coisa de ruim pode acontecer a qualquer momentoArquivo FolhaA pessoa ansiosa superestima o perigo e subestima os recursos pessoais para lidar com ele, diz a psicóloga Nione Torres





