Erice (Itália) - Faz frio. Já é metade da manhã e um vento gelado sopra no alto do morro de 750 metros de altura. Há umidade nas paredes de pedras. Lá embaixo, no mar que banha Trapani, na Sicília, faz calor e as ruas estão cheias de gente. São 15 quilômetros de distância, apenas. O suficiente para separar dois mundos distintos. Ali, no topo do monte Eryx, também conhecido como San Giuliano, há um tilintar de frio. Ou seria um arrepio de medo? Erice, a cidade medieval que ainda acorda, está envolvida em brumas. Há mistério no ar. E orvalho.
Na imensidão branca, uma torre gótica se revela aos poucos: é parte da Chiesa Madre, a catedral do século 124. Parece austera, mas seu interior luminoso diz muito sobre o local: por trás da rudeza das pedras, há uma simpática cidade a ser descoberta a pé. Há muitas janelas fechadas. Abertas, só as portas das lojas de doces, vinhos e souvenirs, dos quais as encantadoras louças e objetos de cerâmica são os mais tradicionais. Não há mais ninguém.
Originalmente, Erice era local de culto à deusa da fertilidade, Vênus (Venere Ericina, daí seu nome). Em 831 d.C., com o domínio árabe, seu nome foi mudado para Gebel-Hamed (Monte de Hamed). A denominação não resistiu à invasão normanda, mas (ainda bem) os doces introduzidos pelos árabes permaneceram, especialmente os marzipãs, e fazem da cidade uma referência no assunto em toda a Sicília. A loja mais famosa é a Pasticceria Maria Grammatico, de uma ex-freira que trouxe do convento os segredos dos deliciosos doces. Prove os cannolis, outra especialidade local. O canudo de massa doce frita, recheado com creme de ricota, não tem meias medidas: provoca amor ou ódio.
É da época normanda o Castelo de Pepoli, hoje um hotel. Sorte é que a cidade pouco mudou desde a Idade Média, dentro dos limites de suas muralhas. Estão lá suas três portas de entrada e pelo menos 15 igrejas. Entre elas, visite as de San Giovanni Battista (século 13) e San Cataldo (século 14).(A.C.)

mockup