Em busca do auto-conhecimento
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quinta-feira, 31 de julho de 2003
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Apesar de todo mundo já ter ouvido falar em ioga, muita gente ainda acredita naquele estereótipo de alguém meditando sentado durante horas na pose de lótus. Pois ioga é muito mais e em algumas vertentes pode até ser bem dinâmica. É o caso da Swasthya Yôga, criada e difundida pelo carioca Luiz Sérgio Alvarez De Rose, conhecido como Mestre DeRose. Nas mais de 200 escolas credenciadas no Brasil e outras 50 no exterior, o público alvo é mesmo o formado pelos jovens.
De acordo com Ciro Albuquerque II, diretor da unidade londrinense da Universidade de Yôga, criada por DeRose, a faixa etária dos alunos está entre 18 a 38 anos. ''Temos alunos mais novos e mais velhos também. Quem já pratica não tem problema, mas um iniciante não pode ultrapassar essa idade'', explica. O próprio DeRose tem 58 anos e há 43 divulga e difunde a ioga.
Para ele, ''yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi''. ''A meta é o auto-conhecimento'', explica Ciro. Segundo ele, o samádhi é um ''estado de hiperconsciência, de megalucidez''.
Antes de conquistar o diploma de ioga da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Ciro trabalhava no ramo de automóveis até que, por curiosidade, foi assistir à uma aula. Gostou tanto que bastaram alguns poucos meses para que ele abandonasse o emprego para se dedicar integralmente à ioga. Para Ciro, como bom discípulo de Mestre DeRose, a filosofia indiana é sempre denominada em sânscrito (yôga) e, além de ter o y, também é tida como palavra masculina.
Nascida na Índia há milhares de anos, a ioga vem conquistando o Ocidente a cada ano. No Brasil, não só atrai praticantes como também está se transformando em opção profissional. Responsável pela formação de novos instrutores em Londrina, Ciro Albuquerque diz que nos últimos três anos, o Brasil viu triplicar o número de professores.
''O mercado está saturado de profissionais tradicionais, enquanto que com os instrutores de yôga, a absorção é imediata'', garante. Mas ele avisa que ser profissional de ioga requer dedicação integral. ''Não pode ser um hobby ou ser uma segunda profissão, do mesmo jeito que não existe um médico-bancário''.
E sendo assim, Érika Iinuma e Ana Paula Castanha nem pensam mesmo em fazer outra coisa. Em setembro, as duas irão prestar o exame que as transformará em instrutoras, depois de quase um ano de preparativos e muitas aulas, já que optaram pelo curso intensivo. De acordo com Ciro, um instrutor também pode se formar em até quatro anos, seguindo o curso tradicional.
Claro que nem todo aluno quer se profissionalizar, e frequenta mesmo as aulas em busca das técnicas respiratórias, orgânicas e corporais. Segundo Ciro, apesar de existirem 108 linhas de ioga conhecidas, nenhuma delas pode ser definida como terapia. ''Os benefícios corporais conquistados são encarados como efeitos colaterais. O praticante ganha em flexibilidade, fortalecimento muscular, mas descobre aula após aula, que a atividade física não é o objetivo e, sim, o auto-conhecimento'', avisa.
Aluna de uma outra vertente, Marina Tropia Carioba faz aulas de ioga há um ano e meio no Vidya Yoga Center. Grávida de quatro meses, ela sabe que pode fazer aulas até a hora de ganhar o bebê. ''Você aprende a saber seus limites e a lidar com suas emoções'', explica. Durante a semana, Marina se reveza entre as aulas com uma personal trainer e a ioga. ''Fazia ginástica, mas sentia necessidade de algo que completasse, que fosse mais para o lado do relaxamento'', conta. ''É uma filosofia em que à medida que é praticada, você leva para a sua vida'', ensina.


