Em busca da imagem perfeita
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quinta-feira, 05 de outubro de 2006
Lola Felix<br> Agência Estado 
Poucos sofrimentos na vida são tão democráticos quanto a puberdade. Pense na mulher mais linda do planeta, Angelina Jolie. Os lábios que hoje muitas mulheres pedem ao cirurgião plástico, no passado, poderiam alimentar metade do continente africano. Os cabelos de aparência descuidada de outrora a colocariam como favorita ao posto de Miss Mocréia da escola. Talvez tenha sido diferente com o homem mais charmoso do mundo? Foi, sim, mas não menos triste. George Clooney estava sempre de banho tomado, mas como era sem graça!
Antes que os pais entrem em surto achando que os filhos estão sendo enterrados vivos na puberdade, basta uma visita ao passado. ''É muito difícil ver um adolescente, ou até um pré-adelescente, que se sente bem com ele mesmo'', diz a professora livre-docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) Leila Tardivo. A isso, soma-se a tarefa, típica da fase, de conquistar uma identidade.
Outro problema são as mudanças corporais. Quando a menina é magra, quer ter curvas. Quando tem curvas, quem ser magra'', diz a estilista Drica Pinotti, que já escreveu vários livros para adolescentes.
A falta de auto-estima pode causar decisões equivocadas. De acordo com a Sociedade Americana dos Cirurgiões Plásticos, o número de adolescentes americanas entrando na faca triplicou nos últimos três anos. ''Precisamos deixar claro que uma cirurgia desse porte não pode ser facilmente revertida'', diz Marcos Grillo, PhD em Cirurgia Plástica.
Muitas das alunas do curso de auto-estima de Nelma Penteado pediam conselhos para as filhas. Nelma decidiu então escrever um livro com a filha de 10 anos, Caroline. Em ''A Menina que Pensava que Era Feia'', a personagem principal sofre com comentários maldosos dos pais e não aceita elogios sobre sua aparência. ''Muita mulher acha que é falta de educação se achar bonita'', diz Nelma.
Caroline, como seis milhões de adolescentes no Brasil - segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - está acima do peso. Mas, com um belo modelo de auto-estima em casa, conseguiu recuperar a sua antes de se tornar uma mulher adulta. ''Achava que tinha de ter cabelo liso e olhos azuis. Depois que comecei a gostar de mim, todo mundo fez o mesmo'', diz a menina.
Saiba como ajudar seu filho
Calma - Tente entender os erros de seu filho antes de explodir com ele ou reprová-lo. ''Muitos adolescentes mentem porque sabem que os pais não entendem a verdade'', diz Drica. ''Muitos pais parecem não ter passado pela adolescência.'' Isso poderá se refletir de forma negativa nas primeiras reprovações práticas, como uma primeira prova de direção mal-sucedida.
Ação - Não adianta dizer à sua filha que ela está gorda se você não a leva a um endocrinologista ou a um nutricionista. Se o cabelo dela está com uma aparência ruim, tente sugerir uma ida ao cabeleireiro antes de fazer um comentário maldoso. ''Ações que não agridem, em vez de críticas, demonstram compreensão e carinho'', acredita Drica Pinotti.
Observação - Os pais devem prestar atenção aos sinais de crise. ''Se a menina entra em parafuso porque tem os seios maiores que o da colega, eles precisam levá-la a um médico, que irá explicar o porquê de ela ser diferente'', diz Drica. ''Se o adolescente estiver muito retraído pode precisar de ajuda psicológica'', diz a professora Leila Tardivo.


