Em boca fechada não entra doença
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Sonolência excessiva, cansaço, falta de atenção e irritabilidade são alterações comportamentais que podem indicar um problema muitas vezes fisiológico: a respiração bucal ou oral. Comum em crianças, a respiração pela boca é causada por obstruções nas vias respiratórias como aumento das amídalas ou adenóide, desvio de septo (deformidade no osso), pólipos ou tumores.
Doenças alérgicas como rinite ou sinusite são outros dificultadores da respiração. Segundo a otorrinolaringologista Ana Maria Ciola, o uso de chupeta ou sucção do dedo são maus hábitos que causam deformações na arcada dentária e também favorecem o surgimento do problema.
Os sintomas comportamentais resultam das noites maldormidas em função da dificuldade para respirar. Outras consequências são flacidez da face e encurtamento da boca, alterações na postura (ombros caídos), apnéia do sono, prejuízo do crescimento e perda ou ganho excessivo de peso. ''Como o ar que entra pela boca não é filtrado nem aquecido, a respiração errada também facilita o surgimento de doenças como gripes de repetição, sinusite, bronquite e asma'', alerta a médica.
Atendimento multidisciplinar
O tratamento para os casos de obstrução começa com a cirurgia para retirada do agente causador do problema, como por exemplo as adenóides ou amídalas. ''Mas apenas a cirurgia não resolve. É preciso adotar também um tratamento multidisciplinar em fonoaudiologia, ortodontia e fisioterapia quando necessário'', afirma.
Se a respiração oral não é corrigida na infância, os sintomas podem perdurar pela vida adulta, inclusive causando dificuldades na prática de exercícios físicos. O tratamento é o mesmo indicado para crianças, com cirurgia e acompanhamento multidisciplinar.
A fonoaudióloga Ana Carla Sitta acrescenta que olheiras, expressão cansada, voz rouca e problemas oclusais como palato alto - o popular céu da boca afundado - são outros sintomas de respiração oral. ''A reabilitação fonoaudiológica envolve a respiração, a mastigação e a deglutição, que são as áreas afetadas'', comenta. Os exercícios trabalham a mobilidade e a força muscular, ensinando o paciente a respirar corretamente e ser capaz de mastigar e engolir todos os tipos de alimentos.
No caso das crianças com oclusão dentária, ela explica que o ortodontista muitas vezes recomenda um aparelho ortopédico funcional para correção, que pode ser usado inclusive pelos mais pequenos. ''Quando o acompanhamento é multidisciplinar e há o envolvimento da família, os resultados costumam ser bem rápidos'', diz.
Corrigindo a postura
As alterações posturais, de acordo com a fisioterapeuta Vera Míriam Antunes Bertoluci, acontecem em função da dificuldade respiratória. ''Os pacientes trabalham músculos acessórios, como ombro e coluna cervical, e não usam o diafragma, que é o músculo principal da respiração'', esclarece. E continua: ''O diafragma não fica relaxado, a cabeça vai para frente, os ombros ficam enrolados e a caixa toráxica diminui a mobilidade. Isso traz aumento da curvatura lombar e abdômen e joelhos distendidos. É a compensação no corpo que leva às alterações'', explica.
O tratamento mais indicado é a reeducação postural global, mais conhecida como RPG. A terapia, conforme Vera, permite alongar músculos encurtados e melhora a função do diafragma e o tônus muscular do abdômen, além de alongar a coluna e os membros inferiores. ''A RPG melhora a condição geral do paciente, desenvolvendo autoconsciência para uma nova postura que vai levar a uma melhor respiração''.
A fisioteraputa esclarece que a RPG é eficente também em adultos com quadro de respiração oral. ''O único problema é que, como o adulto já passou pela fase de crescimento, algumas alterações já estão fixadas. Mas a RPG vai dar melhores condições posturais e respiratórias'', comenta.
Outro alerta de Vera é sobre a prevenção do problema. ''Quanto antes os pais identificarem falhas no desenvolvimento e buscarem orientação de especialistas, mais fácil será a correção'', ressalta, acrescentando que as crianças amamentadas têm menos probabilidade de desenvolver a respiração bucal porque o movimento de sucção favorece o fortalecimento da musculatura.
Vera também adverte que, após o fim do tratamento, é importante fazer a manutenção dos hábitos adquiridos com a RPG. Em crianças, ela recomenda a prática de esportes. Nos adultos, exercícios de alongamento são eficientes para manter os resultados.
No caso das crianças com oclusão dentária, ela explica que o ortodontista muitas vezes recomenda um aparelho ortopédico funcional para correção, que pode ser usado inclusive pelos mais pequenos. Quando o acompanhamento é multidisciplinar e há o envolvimento da família, os resultados costumam ser bem rápidos, diz.
Corrigindo a postura
As alterações posturais, de acordo com a fisioterapeuta Vera Míriam Antunes Bertoluci, acontecem em função da dificuldade respiratória. Os pacientes trabalham músculos acessórios, como ombro e coluna cervical, e não usam o diafragma, que é o músculo principal da respiração, esclarece. E continua: O diafragma não fica relaxado, a cabeça vai para frente, os ombros ficam enrolados e a caixa toráxica diminui a mobilidade. Isso traz aumento da curvatura lombar e abdômen e joelhos distendidos. É a compensação no corpo que leva às alterações, explica.
O tratamento mais indicado é a reeducação postural global, mais conhecida como RPG. A terapia, conforme Vera, permite alongar músculos encurtados e melhora a função do diafragma e o tônus muscular do abdômen, além de alongar a coluna e os membros inferiores. A RPG melhora a condição geral do paciente, desenvolvendo autoconsciência para uma nova postura que vai levar a uma melhor respiração.
A fisioteraputa esclarece que a RPG é eficente também em adultos com quadro de respiração oral. O único problema é que, como o adulto já passou pela fase de crescimento, algumas alterações já estão fixadas. Mas a RPG vai dar melhores condições posturais e respiratórias, comenta.
Outro alerta de Vera é sobre a prevenção do problema. Quanto antes os pais identificarem falhas no desenvolvimento e buscarem orientação de especialistas, mais fácil será a correção, ressalta, acrescentando que as crianças amamentadas têm menos probabilidade de desenvolver a respiração bucal porque o movimento de sucção favorece o fortalecimento da musculatura.
Vera também adverte que, após o fim do tratamento, é importante fazer a manutenção dos hábitos adquiridos com a RPG. Em crianças, ela recomenda a prática de esportes. Nos adultos, exercícios de alongamento são eficientes para manter os resultados.


