Elos de paixão
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quinta-feira, 29 de julho de 2004
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
Em tempos de relacionamentos relâmpago, em que ''ficar'' é o verbo preferido dos adolescentes, e a falta de comprometimento uma regra entre eles, parece que o velho e bom namoro que cumpre as tradicionais etapas de envolvimento caminha para a extinção. Mas a coisa não é bem assim. O aumento nas vendas de alianças de compromisso, registradas no último Dia dos Namorados, mostra que a tendência já começa a ter dissidentes.
São jovens que acreditam na importância de selar a união com o mais simbólico gesto da ligação amorosa. O auxiliar de escritório Wescley de Oliveira, 22 anos, e a estudante Danieli Maria Sampaio, 17 anos, trocaram alianças com apenas um mês de namoro. E não tiram o anel há dois anos e meio. ''O dedo já está afinando, de tão marcado'', brinca ele. A idéia foi dela, que pediu as mais largas possíveis. Foi atendida, mas não sem argumentos contrários. ''Por mim, usava uma mais fina'', entrega Wescley.
Danieli garante que a intenção não é apenas mostrar para todo mundo que ambos estão comprometidos. ''A aliança é meu xodó. É como se o Wescley tivesse comigo toda hora. É coisa que liga a gente; só quem usa sabe explicar'', define ela. ''É uma forma de estar sempre junto'', reforça ele. O acessório também deu mais credibilidade ao garoto na ocasião em que ele, já com o anel no dedo, foi pedi-la em namoro para o futuro sogro, que foi bem claro: ''Quando a aliança começar a marcar, já está na hora de casar''.
Já para os estudantes Renata Paula Scaliza e Wellington Cardoso, ambos de 18 anos, a aliança de compromisso veio depois da mais contundente ligação entre duas pessoas: um filho. Kevin nasceu há dois anos e, no Dia dos Namorados seguinte, Renata ganhou a prova de amor que sempre quis. ''Fiquei superemocionada, porque ele não é muito de mostrar os sentimentos. Nosso namoro sempre foi sério, mas faltava iniciativa'', analisa.
Para Wellington, o significado maior da aliança é ligar o casal, mas isso não quer dizer que o acessório iniba possíveis investidas dos outros. ''Os homens respeitam mais, sabem que vai ser mais difícil quando a menina usa aliança. Para as mulheres, não faz muita diferença se o cara usa ou não'', revela ele, que vai ter que correr atrás do prejuízo por ter perdido a sua durante os treinos de canoagem, esporte que pratica profissionalmente.
Histórias como a de Renata e Wellington, Wescley e Danieli estão por trás das estatísticas da rede paranaense Prata Fina, que vem alcançando bons resultados com a campanha ''Namoro é compromisso''. As vendas de alianças, no último dia 12 de junho, foram 30% maiores do que no mesmo período do ano passado. Grande parte delas, para adolescentes.
''Queremos mostrar que o namoro também precisa de algo que o identifique'', justifica o diretor João Mattos. Segundo ele, como a prata é o metal da lua, e a lua, o símbolo dos namorados, nada mais significativo do que alianças de prata para selar a relação. A loja conta com 12 modelos, com preços que variam de R$ 15,00 a R$ 190,00 o par. A gravação dos nomes e o polimento são gratuitos. n


