Eles também sofrem
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de agosto de 2002
Célia Guerra<BR>Reportagem Local 
[Retr-Foto:sx2A9]
César Marinho
Depois dos 50 anos, os homens também têm problemas hormonais. A diferença é que no sexo masculino os sintomas são mais discretos, não se manifestam em todos e podem ser confundidos com o envelhecimento
Calor no rosto, perda de interesse sexual, falta de concentração, aumento de peso, irritabilidade, insônia. Se você é uma mulher de meia-idade, se identifica com esses sintomas, e está passando pela menopausa, não se assuste! Esse desconforto não é ''privilégio'' apenas do sexo feminino.
Homens a partir dos 50 anos também têm problemas hormonais que podem levar a essas sensações e até mesmo ao tratamento de reposição hormonal. A diferença é que, no sexo masculino, os sintomas são mais discretos e não se manifestam em todos os homens, por isso, muitas vezes são confundidos com o envelhecimento.
Segundo o médico urologista Frederico de Carvalho Fraga, de Londrina, a identificação do problema é relativamente nova, mas cercada de muita controvérsia, a começar pelo nome, andropausa ou climatério masculino. Apesar de serem aceitas pelos profissionais de saúde, essas denominações, do ponto de vista biológico, não são apropriadas.
Fraga explica que no homem, ao contrário da mulher, não há uma falência na produção dos androgênios hormônios sexuais e sim uma provável diminuição em decorrência da idade. Por isso, nos últimos cinco anos, a classe médica tem preferido o termo deficiência androgênica parcial no homem idoso, ou Padam a sigla do nome em inglês.
O que desperta a busca de ajuda médica, de acordo com o urologista, é, primeiro, a dificuldade de ereção. A identificação do problema, entretanto, exige avaliação médica, com exames físicos e dosagem de testosterona. O uso do medicamento Viagra no tratamento da disfunção erétil, sem uma investigação detalhada, alerta o médico, pode mascarar o problema. A baixa dosagem hormonal pode levar, também, a problemas cardíacos.
O início da reposição hormonal, como informa Fraga, deve ocorrer somente quando o paciente apresenta alguns dos sintomas e a dosagem do hormônio esteja abaixo do normal. Antes disso é preciso ainda que estejam descartados quaisquer problemas com a próstata.
''Não há nada provado quanto a indução de câncer de próstata pela reposição hormonal, mas não se sabe se ela poderia apressar o aparecimento de um tumor ainda não diagnosticado'', explica. A reposição é contra-indicada também para homens portadores de câncer de mama. ''Ela é benéfica quando bem indicada''.
Existem atualmente no mercado quatro tipos de medicamentos à base de testosterona sintética: de uso oral, injetável, adesivos e o gel cutâneo. Fraga afirma que o mais eficaz, além de mais barato, é a medicação injetável intramuscular. Inicialmente, ela produz efeitos colaterais como a retenção de líquidos e irritabilidade.
O remédio oral, segundo Fraga, além do custo mais elevado, pode desenvolver câncer hepático. Os adesivos também são caros e provocam coceiras e dermatites. Já o gel, que deve ser aplicado próximo às partes genitais, ''não dá para mensurar a quantidade absorvida pelo organismo. O suor pode interferir na permanência da medicação no corpo, por isso sua eficácia é maior em países frios''.
O uso da medicação exige ainda um monitoramento das condições da saúde do paciente. No primeiro ano é necessária a realização de exames a cada três meses. Depois, a verificação pode ser feita de seis em seis meses ou até mesmo anualmente. Os exames necessários são relativos à prostata, por isso devem ser feitas a dosagem de PSA no sangue que é um substrato marcador prostático, e o toque retal.n


