O desejo e a necessidade de melhorar a aparência; um número maior de especialistas no mercado; técnicas avançadas e... o inevitável aconteceu: os homens não resistiram! Há algum tempo a agenda masculina abriu espaço para um olhar mais criterioso no espelho, atenuar rugas de expressão, cuidar dos insistentes ‘‘pneus’’. É verdade que as mulheres ainda lideram as consultas em dermatologistas e clínicas de cirurgia estética; mas é cada vez maior o número de homens que aderem aos recursos da medicina para ficarem mais bonitos.
A cirurgiã plástica Dolores Cristina Mamprim diz que a mudança vem acontecendo nos últimos cinco anos. Em 1995, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, apenas 5% das cirurgias estéticas foram feitas em homens. Em 1999, o número cresceu 25%. Das 300 mil cirurgias estéticas realizadas no Brasil entre 1999 e 2000, 30% foram em homens.
‘‘Números da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica e, também, da França e Itália, países que tradicionalmente realizam muitos procedimentos estéticos’’, observa a médica, ‘‘indicam percentual de crescimento semelhante ao verificado aqui. A preocupação com a vaidade mudou e o homem percebeu que tem direito de manifestar que está bem’’, acrescenta.
De acordo com Dolores, há fatores que conduzem à mudança, como o aspecto profissional e a própria sociedade. ‘‘As pessoas estão ativas, no maior pique, e têm que aparentar esse estado’’, observa, destacando que a busca da satisfação pessoal deve estar em primeiro plano. Fazer uma cirurgia estética só para agradar o chefe ou se manter num cargo de direção pode trazer infelicidade. ‘‘Se a pessoa faz a cirurgia para se sentir bem, certamente o rendimento no trabalho vai ser melhor.’’
E quem é esse homem? Em geral, são profissionais liberais, executivos e empresários na faixa dos 40 anos e, ao contrário do que possamos pensar, não são solteiros ou descasados. Conforme a médica, a grande maioria que se submete a um procedimento estético é casada e, comumente, decide pela cirurgia apoiada e incentivada pela mulher que, muitas vezes, passou por uma cirurgia com resultados positivos.
A médica acredita que a maior procura dos homens por procedimentos estéticos não caracteriza um modismo passageiro ou uma preocupação exclusiva e exagerada com o corpo. A cirurgia estética se incorporou a um contexto em que o cuidado com a saúde como um todo está mais evidenciado. ‘‘Esse tipo de cirurgia possibilita às pessoas mostrar que estão bem mesmo numa fase mais adiantada da vida’’, observa.
Auto-estima A dermatologista Jorgete Carrilho constata também que nos últimos três anos vem crescendo a ida de homens ao consultório para tratar de problemas ligados à estética. Em 2000, a procura foi ainda mais intensa. Antes, a visita era restrita ao tratamento de patologias mais sérias, entre elas, micoses e coceiras.
Hoje, a queda do cabelo, cicatrizes de acne, manchas na pele do rosto, rugas e gorduras localizadas estão na ordem do dia quando o assunto é a aparência masculina. ‘‘A boa aparência, estar bem consigo mesmo, melhora a auto-estima e a felicidade passa por esse enriquecimento’’, observa.
Jorgete diz que a mudança de hábitos é sentida na procura por produtos de boa qualidade para os cuidados básicos de higiene, como sabonetes, cremes e xampus apropriados para os diferentes tipos de pele e cabelo. Para a médica, essa nova visão revela a queda de um conceito segundo o qual o homem tem que andar barbudo, mal-arrumado e malcheiroso. -
Dentre os tratamentos disponíveis, a clientela masculina figura em todos os procedimentos. A dermatologista destaca os peelings químicos que melhoram o aspecto geral e renovam a pele, clareiam manchas, suavizam rugas superficiais e podem abrandar até cicatrizes.
Há, também, os chamados preenchimentos que podem ser feitos com o ácido hialurônico, o gel metacrilato e o fio de goretex. O procedimento é indicado para sulcos muito acentuados na região do nariz e da boca, rugas em volta da boca e sulcos profundos na testa e ao redor dos olhos.
Outro tratamento disponível utiliza a toxina botulínica, substância que provoca a paralisação temporária da musculatura superficial. O objetivo é tratar a chamada ruga dinâmica, aquela que surge com o movimento do rosto. Como exemplo, ela cita as linhas que aparecem ao redor dos olhos quando a pessoa sorri.
Segundo a dermatologista, os métodos mencionados são simples, não requerem internação e a intervenção dura em média duas horas. Ela esclarece ainda que tanto no peeling quanto no preenchimento podem ser necessários retoques. ‘‘A medicina estética oferece uma série de recursos que, muitas vezes, adiam a cirurgia plástica ou vem complementar o que ela não conseguiu resolver.’’

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