Quando o papo é sobre educação, disciplina, relacionamento e liberdade, os adolescentes não economizam argumentos para defender seus pontos de vista. Michel Brites, 17 anos, concorda que tem tudo o que deseja, mas ainda não está satisfeito. ‘‘Meus pais dão tudo para mim, mas estou sempre querendo mais e mais. Acredito que essa insatisfação faz parte de idade, da busca de uma auto-afirmação’’. Ele ressalta que a sociedade, de uma forma geral, não está preparada para entender os adolescentes. ‘‘A pior coisa é a comparação. Meus pais estão sempre me comparando com meus irmãos mais velhos. Isso é muito chato porque eu não quero ser igual aos outros, mas ter a minha própria personalidade’’, afirma Michel Brites.
Marcos Vinícius Bassetti, 17 anos, concorda com Michel. ‘‘Odeio quando meu pai diz: ‘Quando eu tinha a sua idade, já estava trabalhando’. Pô, o mundo mudou, eu quero mais é aproveitar a minha adolescência’’. Mas quando o assunto é liberdade, Marcos Vinícius entregas os pontos. ‘‘Se meus pais me derem mais liberdade do que eu tenho, não fico um minuto em casa. Nesse ponto não posso reclamar porque eles são muito legais’’. Segundo ele, os pais precisam se atualizar e estar mais sintonizados com a juventude. ‘‘Esse papo de ‘no meu tempo era assim’, é muito ultrapassado’’, afirma.
Se os garotos têm muitas reclamações, imaginem as meninas. Elas reclamam da discriminação e da falta de liberdade. Heloisa Perusso, 14 anos, vai direto ao assunto: ‘‘Os meninos podem tudo, e nós estamos sempre em desvantagem. A marcação em cima da gente é dobrada’’, garante. Para Ludmilla Borges Oliva, 16 anos, os problemas não são diferentes. ‘‘Minha mãe não entende que o adolescente gosta de correr riscos. A rebeldia faz parte da idade. Todas as vezes que eu quero sair pinta aquela discussão. Tudo é perigoso. Ela me trata como se eu ainda fosse uma criança’’, reclama Ludmilla Borges. Apesar dos conflitos, todos concordam que tiveram e continuam tendo uma boa educação.
Iraides Maria Borges, 47 anos, mãe de Ludmilla, conta que procura ler artigos e livros sobre adolescência para compreendê-los melhor. ‘‘O problema é que eu tento passar para a Ludmilla a minha experiência de vida, mas ela não aceita. Isso me irrita um pouco, mas sei que não adianta brigar ou querer impor as coisas. Esse tipo de comportamento só afasta o filho da convivência familiar, o que é pior’’, admite Iraides Borges.
Na opinião do empresário Francisco Carlos Alves, 45 anos, pai de dois filhos adolescentes, os pais não devem dar liberdade ao filho, mas deixar que ele a conquiste mostrando-se responsável. ‘‘É preciso compor regras para ambos os lados. A questão não é proibir e nem soltar demais, mas estabelecer limites. O adolescente precisa ser observado e não vigiado’’, afirma ele.

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