Eles estão chegando
Angela Raizer Barbosa
Os primeiros dentinhos que surgem na gengiva rosada do bebê despertam exclamações de contentamento e alívio para os pais, que acompanharam aflitos os meses de irritação e salivação que antecedem essa fase marcante no desenvolvimento da criança. Corujice à parte, muitos pais ainda têm dúvidas sobre os cuidados que devem ter com esses minúsculos pontinhos brancos. Mesmo sendo temporários, os dentes de leite têm uma importância fundamental na formação da dentição permanente: preparam o caminho, guardam espaço e, o que é mais importante, mantêm o crescimento das estruturas da face em equilíbrio, evitando, mais tarde, o uso de aparelhos corretivos.
A cirurgiã-dentista Elza Nakamura explica que o período de erupção dos dentes de leite (dentes decíduos), é dos 6 meses aos 2 anos de idade. Há bebês que já nascem com dentes e outros em que a erupção acontece tardiamente. Nestes casos, a mãe deve procurar um especialista para melhor orientação. Ela observa que a erupção de dentes prematuros ou tardios não significa que eles serão mais ou menos resistentes. O que ocorre é que nos dentes prematuros a exposição ao meio bucal será mais prolongada. Mas com uma boa higiene e hábitos alimentares adequados, não haverá incidência de cáries.
Cabe também às futuras mamães, em início de gravidez, se preocupar com a boa formação dos dentes do bebê, que começa a partir da 6ª semana (dentes de leite) e do 5º mês (dentes permanentes) de gestação. Condições desfavoráveis na gravidez - medicamentos, infecções, carências nutricionais, entre outros - podem trazer problemas aos dentes em fase de formação e mineralização. As futuras mamães devem ter uma dieta saudável, rica em fósforo, cálcio e vitaminas A, C e D, fundamental para a boa formação dentária do bebê, afirma Elza Nakamura.
Dedo e chupeta Segundo Elza Nakamura, é grande a controvérsia sobre usar a chupeta ou sugar o dedo. Quando a criança procura a chupeta ou o dedo, ela está expressando uma necessidade fisiológica através da sucção. Porém, hoje, nota-se que mais e mais mulheres têm sua profissão, não têm tempo para amamentar, o que as obriga a deixar o bebê sob os cuidados de outras pessoas. Em função disso, os bebês encontram outras formas para suprir essa carência, usando a chupeta ou sugando o dedo. Até porque o amamentar não significa só dar o peito, e sim um momento em que a criança recebe amor e atenção.
Outro fator que também leva a isso é o uso da mamadeira. Quando o bico da mamadeira tem a perfuração muito grande, irá passar uma quantidade maior de leite em relação a do peito. Desta forma, a criança raramente terá a sensação de satisfação pelo fato de não ter saciado o lado psico-emocional, diz. Elza Nakamura também recomenda que a chupeta não deve ser a primeira opção para confortar a criança. Primeiro tente trocá-la, amamentá-la e segurá-la no colo. Ela deve aprender que a chupeta é só mais uma opção de conforto.
Alteração na arcada De acordo com os pediatras, até os 3 anos a chupeta faz parte da fase oral. A partir dessa idade, a própria criança irá substituir esse objeto por outras formas de oralidade, como cantar, falar, etc. Quando isso não acontece, aumentam os riscos de alterações ósseas e dentárias. O problema mais comum é a mordida aberta, quando os dentes superiores não tocam os inferiores. Nestes casos, esse problema poderá se minimizar ou mesmo se auto-corrigir se o hábito de sucção desaparecer antes da erupção dos dentes permanentes.
Para Elza Nakamura, os fatores agravantes desses problemas de sucção são a frequência, a intensidade e a duração do uso. Se esse hábito é constante e a pressão for exagerada nos dentes anteriores, alguma alteração na arcada dentária irá ocorrer. Assim, recomenda-se amamentar a criança o maior tempo possível, pois a sucção do seio é importante para o desenvolvimento da boca e para criar hábitos corretos de engolir.
Segundo uma pesquisa publicada numa revista norte-americana de odontopediatria, as crianças, em média, começam a usar chupeta em torno dos 3 meses de idade, e usam durante 7 horas diárias, largando esse hábito entre os 17 e 22 meses de vida. Isto significa que a maioria das crianças larga esse hábito antes de completar os 2 anos, muitas ainda continuam até o terceiro ano e a minoria passa dessa idade. Já os chupadores de dedo iniciam e terminam esse hábito mais tarde. Eles iniciam tarde porque têm dificuldades de encontrar e manusear o dedo. Em compensação, muitas delas também desistem dele tardiamente, em torno de 3 a 5 anos de idade, porque o acesso ao dedo é mais fácil e constante.Fofinho e sorridente, o bebê mostra seus primeiros dentes. Para os pais chegou a hora de prestar mais atenção na higiene bucal do filho
Fotos: Paulo WolfgangFelipe Squarça Cabral, 1 ano: os primeiros dentes de leiteAs futuras mamães devem ter uma dieta saudável, rica em fósforo, cálcio e vitaminas A, C e D, fundamental para a boa formação dentária do bebê, afirma a dentista Elza Nakamura





