Elegância casual
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Não é preciso ser metrossexual de carteirinha para incrementar o guarda-roupa e investir em peças bacanas a cada nova estação. Os homens estão sim mais vaidosos e preocupados com as tendências de moda. Prova disso é o espaço cada vez maior conquistado pelas grifes de moda masculina em eventos como a São Paulo Fashion Week (SPFW). Na edição outono-inverno apresentada no final de janeiro, foram oito desfiles dirigidos exclusivamente aos homens.
Aliás, já virou tradição há algumas temporadas o desfile de Ricardo Almeida abrir a SPFW. Desta vez não foi diferente. Mesmo optando por tons escuros, mesclando marrom e preto, o contraste do vermelho e branco também se faz presente no inverno do estilista, que aposta em modelagens mais ajustadas para eles. As jaquetas de couro estão mais curtas e as combinações com tricôs mostram que é possível ser elegante mesmo sem terno.
A predominância da cartela de cores mais escura não significa um inverno sizudo, principalmente para os homens, que não perdem a discontração. A tendência do patchwork que tanto apareceu nas coleções femininas é traduzida para eles em forma de muito xadrez e sobreposições. Do kilt escocês veio a inspiração para a VR Menswear, que traz as variações de marrons dos tonéis de uísque. Se os homens vão usar saia? Só mesmo uma referência na passarela.
Outra ousadia é a calça saruel da Zoomp, que coloca o gancho lá embaixo brincando com o conforto tanto no jeans como num moletom encorpado. As grandes proporções aparecem também no desfile de Mario Queiroz, que se inspirou num aeroporto internacional para mostrar seus caftans étnicos. As estampas soltam os bichos em visual que passeia pela África.
A British Colony de Maxime Perelmuter faz um protesto pacifista mostrando uniformes militares ao lado de Smiles brincalhões e um camuflado tropical. A brincadeira segue na coleção da V.Rom que lembra o filme A Fantástica Fábrica de Chocolate para mostrar um Willy Wonka colorido e cheio de atitude.
Uma luta de boxe nos anos 1940, 1950 foi a inspiração de Alexandre Herchcovitch para o inverno masculino. Ele não só olhou para os boxeadores como também os homens elegantes na platéia de outrora. Tanto há espaço para o terno ajustado quanto um casaco matelassado.
O hi-lo que mistura o chique e o casual é a indicação para Fause Haten desconstruir o smoking e brincar com a faixa e as gravatas borboletas ao lado de jeans e camisetas. Para a Ellus, o inverno é punk com referências ao bar novaiorquino CBGB, mas também esportivo na inspiração dos jogos de polo. Misture um pouco disso, com um pouco de todo o resto e está lá a estação mais fria do ano com um homem cheio de atitude.


